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quinta-feira, 7 de abril de 2016

A Tristeza do Homofóbico

A palavra fobia vem do grego φόβος, que significa medo, e o que seria a homofobia além do temor a afeição ao mesmo sexo? Não há outra explicação possível para esse ódio irracional. Enquanto a ciência tem cada vez mais indícios de que a homossexualidade está longe de ser uma escolha, e o mundo cada vez mais aceita a união do mesmo gênero, algumas pessoas insistem em ficar presas no tempo, relutam a admitir o avanço social. Para a ignorância há apenas um remédio, informação, então é isso o que faremos aqui.


A escolha de ser gay:
De um lado você pode ser parte da chamada “maioria”, ser aceito por todos e não sofrer preconceito, do outro lado, você é discriminado, proibido de amar e demonstrar afeição ao seu parceiro. Quem em sã consciência iria escolher o caminho mais difícil? A resposta é simples, nunca houve uma escolha.

Estudos vêm apontando que a orientação sexual está na genética, nos Estados Unidos, certas vezes, já se conseguiu prever se alguém seria gay analisando padrões genéticos dos participantes. Obviamente esses estudos não são definitivos, ainda há muito para se descobrir sobre o genoma humano. Porém, fica cada vez mais claro que a orientação sexual está longe de ser uma escolha. Afinal, se fosse uma opção, porque tantos escolheriam ser discriminados?

A felicidade e o sucesso de quem amamos é muito mais importante que sua sexualidade.

Homossexual é contra a natureza:
Desde quando seguimos estritamente o que é natural? Comemos enlatados, tomamos remédios e dirigimos carros. Queremos mesmo viver em estado de natureza? Como se esse argumento não bastasse, a homossexualidade é extremamente comum no mundo animal.

Aves, insetos, mamíferos, todos eles apresentam comportamento homossexual. Golfinhos, leões, pinguins, libélulas, alguns macacos, e muitos outros; todos eles já tiveram relações com o mesmo gênero. Ainda há o caso do carneiro doméstico, que muitas vezes adota um parceiro do mesmo sexo para o resto da vida.


A religião:
Vamos mesmo seguir cegamente coisas escritas milhares de anos atrás? O mundo mudou, e a concepção de moralidade também. Não podemos usar a bíblia como argumento, esse mesmo livro considera a escravidão um estado natural. Isso não se dá por culpa de quem a escreveu, pois, naquela época tal ação era aceita. Não estou dizendo que você deve jogar sua bíblia fora, mas ter o bom senso de interpretá-la para os tempos atuais. Platão e Aristóteles, dois filósofos importantíssimos para a história da humanidade, acreditavam que as mulheres eram inferiores. Nem por isso estamos usando seus escritos para defender algo que é tão absurdo no século XXI. Portanto, da mesma forma não usamos o livro cristão para defender a escravidão, nem escritos gregos para defender a inferioridade feminina, é hora de mudarmos nossas visões acerca da questão sexual também.

Além do caso da bíblia, mais importante ainda é a mensagem que Jesus passou; o amor incondicional ao próximo. Se realmente seguíssemos a frase “somos todos irmãos” e amássemos o outro, em vez de amar apenas aqueles que se encaixam com as nossas concepções, certamente a sociedade seria diferente. Nem entrarei nos casos como o do Cardeal O’Brien, um dos muitos membros da igreja denunciados por “comportamentos homossexuais” ou “inapropriados”.

Desmond Tutu, arcebispo da Igreja Anglicana, laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela sua luta contra o Apartheid já afirmou: “Se Deus é homofóbico como dizem, eu não veneraria a Ele”.

Em algum momento esquecemos o que Jesus tentou nos falar.

A tristeza de um homofóbico:
Sejamos francos, que diferença faz para você se o seu amigo dorme com outro homem? Só uma pessoa tão infeliz e rancorosa para se incomodar com a felicidade dos outros. Um homofóbico é mais digno de pena do que de raiva. A sua ignorância e tristeza é tanta que os outros ao redor não podem ser felizes. Essas pessoas que precisam de ajuda, não um homossexual.


Aqueles que mudaram de time:
Talvez você não saiba, mas muitos militantes anti-gay já saíram do armário e assumiram a sua “fobia”.
  
Sérgio Viula era pastor e líder da MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia), que visava “curar gays”. Em 2002, após 14 anos casado e com 2 filhos frutos dessa relação, assumiu ser gay e ateu.

John Smid, após 18 anos de militância contra os gays, resolveu se assumir e pedir desculpas por ter prejudicado tantas pessoas em situação delicada. “Eu tinha fé de que algo iria acontecer (virar heterossexual), mas isso nunca aconteceu. Agora, na minha idade, já não tenho muitos anos restantes, não posso viver mais assim pelo resto da minha vida. Então, eu pensei que não, eu não estou disposto a continuar empurrando algo que não vai ocorrer”, admitiu Smid. Em 2015, John finalmente resolveu buscar a felicidade e se casou com o namorado Larry Queen.

Esses dois casos entre inúmeros outros ilustram como muitas vezes o ódio é muito mais uma tentativa de reprimir a si mesmo, que paradoxalmente acaba se tornando em raiva contra os gays. Exemplo desse paradoxo é o Brasil, país que é o maior consumidor de pornografia transexual do mundo, e ao mesmo tempo o que mais mata travestis. Obviamente, não estamos defendendo que todo homofóbico é um homossexual “no armário”, mas que essa raiva é irracional e triste é inegável.


A reprodução e a adoção:
Sempre escutamos a velha frase: “dois homens ou duas mulheres não fazem filho”. Por acaso um casal deveria estar proibido de se amar e de casar por não poder ter filhos? Então um homem ou mulher estéril devem ser proibidos de casar? E quanto a parceiros idosos? E se um casal que simplesmente não quer ter filhos? Todos eles devem ser proibidos de casar?

Vivemos em um mundo com 7 bilhões de pessoas, e continuamos crescendo rapidamente, o planeta não consegue fornecer recursos para todos nós e agradece se dermos uma freada. Além disso, acusações como “os gays vão dominar o mundo” fazem ainda menos sentido. O mundo não está mais gay hoje do que estava no passado, ninguém vira gay pela criação que teve ou pelo ambiente em que vive. Como já dito anteriormente, a orientação sexual não é uma escolha, a única diferença é que as pessoas agora estão mais livres para amarem e serem elas mesmas.

Nosso país possui dezenas de milhares de crianças em orfanatos esperando para serem adotadas. Alguém realmente pode achar que viver em um orfanato é melhor do que viver com um casal gay dedicado e amoroso? A adoção de órfãos por casais homo afetivos não apenas deveria ser um direito como também é a solução para um problema social grave. Os que são contra podem defender que os adotados poderão sofrer bullying entre outras discriminações, mas a grande verdade é que as pessoas que fazem esse tipo de afirmação são as principais causadoras disso. O mundo está mudando e principalmente os jovens aceitam as diversidades cada vez mais, logo, viver num orfanato não chega nem perto de ser como viver com país gays apaixonados.

É interessante como nossa moralidade é seletiva, na televisão assistimos traições, assassinatos, nudez e brigas, mas quando se exibe amor homo afetivo é motivo de censura e dura repressão.

Um novo mundo: 
Essa separação entre homem e mulher, azul e rosa, cueca e calcinha, está cada vez mais ultrapassada. Lojas de roupas estão começando a lançar grifes unissex. Recentemente a Louis Vitton teve Jaden Smith, o filho de Will Smith, como garoto propaganda de uma coleção feminina da marca. Deveríamos poder nos vestir como quisermos, amar quem quisermos, vivermos da maneira que nos faça bem e feliz. O amor não tem gênero, não tem órgão sexual definido, e quem não consegue aceitar isso, não apenas vai ficar para trás como também é digno de pena por não conseguir conviver com a felicidade alheia. Afinal, o mundo seria tão chato se todos fôssemos iguais.


Leonardo Teixeira - 07/04/2016

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Referências:


quinta-feira, 3 de março de 2016

O que eu ví no Japão: Mitos e Verdades


Tive a oportunidade de passar um mês e meio em Tóquio, não foi tempo suficiente para dar uma resposta definitiva a cerca dos costumes nipônicos, mas pelo menos posso dar minhas impressões. Uma das melhores coisas da viagem foi poder ver na prática se a imagem e os estereótipos são verdadeiros ou não. Portanto, aqui escreverei sobre o que é mito e o que é real, também coisas boas e ruins do Japão. Também é importante enfatizar que este texto irá fazer generalizações, e como toda generalização peca em superficialidade, não pense que tudo dito aqui é absolutamente verdade e se aplica para todos os japoneses.

Os japoneses são frios:
Esse é um mito que se escuta muito, que os japoneses são frios e distantes. Isso acabou se mostrando uma total mentira durante minha vivência por lá. Eles são receptivos, animados, gostam de sair com os amigos e bater muito papo. Obviamente os asiáticos não são calorosos como os brasileiros, afinal, eles não costumam se tocar muito, mas isso não significa que eles não tenham afeição uns pelos outros. Na verdade, acredito que o principal motivo por eles se abraçarem pouco, é por causa da timidez. Muitas vezes quando comentava como nos cumprimentamos no Brasil, não hesitavam nem um pouco em me abraçar.

O Japão é cheio de regras:
Sempre imaginei que o leste oriental era todo regrado e restritivo, acredito que muitos estrangeiros pensaram isso também. De fato, o país possui diversas regras, mas muitas delas nem são constituicionais e sim culturais. Os japoneses são extremamente educados e possuem uma grande preocupação em não incomodar as outras pessoas, mas isso não restringe de forma alguma a sua liberdade. Enquanto em países como Canadá, não se pode beber na rua, só se compra bebidas em lojas estatais e os bares não podem servir álcool após as 2 da manhã; no Japão não existe nenhuma dessas restrições, os japas adoram beber cerveja e sakê, ir para o karaokê, fazer pequenas sociais em casa, totalmente diferente da imagem “quadrada” que eles possuem.

O transporte e os serviços são excelentes:
Tóquio possui o maior metrô do mundo, que além disso é extremamente pontual. O transporte é tão bom, que muitos japoneses sequer tiram carteira de motorista. Nos serviços o padrão é o mesmo, rápido e de qualidade. Os restaurante te atendem com educação e atensiosidade. Lá você não paga nem pelo serviço, muito menos por gorjeta, o dono do estabelecimento é responsável por pagar um sálario decente aos seus funcionários, enquanto em diversos países os garçons praticamente tem de sobreviver com o que ganham por fora. Na terra do sol nascente também descobri o verdadeiro significado de “fast food”, o preço e a qualidade deles é muito acima dos “slow foods” que temos aqui.

Eles se vestem de maneira exótica:
Até vi alguns casos curiosos, no entanto, qualquer país tem “seus excêntricos”. No geral, eles se preocupam muito com a aparência, cuidam da pele e do corpo e se vestem muito bem, por isso, costumam ser bem elegantes. A juventude nipônica muitas vezes sofre com a obsessão da beleza, mas isso é algo que essa geração vem sofrendo em todos os lugares do mundo, então não vejo motivo para me aprofundar nesse assunto agora.

Eles desenham olhos grandes porque queriam tê-los:
Coloquei aquela figura no topo do texto para este tema, como todos sabem, nos animês, os personagens costumam ter olhos enormes. É muito comum se falar que a razão disso é o desejo deles de possuir tais atributos, e curiosamente é verdade. No Japão descobri que eles realmente gostam disso, eles consideram olhos grandes um sinal de beleza, ainda mais se possuirem cores mais incomuns, como verde e azul.

Agora irei falar de aspectos negativos da terra nipônica, afinal, não existe lugar perfeito.

O cigarro:
Essa provavelmente é a minha maior crítica nesse texto. Os japoneses estão muito atrasados na maneira que lidam com o cigarro. Talvez por ser brasileiro, seja mais crítico a isso, pois o Brasil é um dos países que está mais a frente nesse assunto, nosso cigarro é barato (comparado a outros países), mas mesmo assim o consumo cai ano após ano. O tabaco deixou de ser símbolo de elegância e a própria juventude o rejeita cada vez mais, resultado disso é que não existe mais áreas para fumantes há anos. Enquanto isso do outro lado do mundo, fuma-se muito, mesmo com o preço do maço alto. Ainda existe área de fumantes, e elas estão presentes em muitos restaurantes, alguns deles nem separam os não-fumantes, portanto, se você não fuma, é bem capaz de em algum momento você ficar respirando fumaça dos outros. Apesar do consumo estar caindo, eles ainda estão muito atrás nesse aspecto, como muitos fumam em lugares fechados e bares, há um grande estímulo para que novas pessoas experimentem. O maior absurdo são os garçons e garçonetes terem que trabalhar no meio desses ambientes. Em lugares como Brasil, Estados Unidos e Canadá, é proibido colocar funcionários nestas condições que ao longo prazo podem acarretar em graves problemas de saúde, porém no Japão, um país tão desenvolvido, pessoas ainda são obrigadas a trabalhar assim. Não tenho nada contra fumantes, é uma escolha pessoal, mas não acho correto os outros acabarem se tornando fumantes passivos por terem que viver nestes locais.

Eles não falam inglês:
Eles não falam mesmo, e isso se aplica a gigantesca maioria. Os japoneses que são fluentes no inglês acabam sendo admirados. É até paradoxal, a língua japonesa é cheio de palavras oriundas do anglo-saxão, e eles adoram a cultura americana, isso até os possibilita entender certas perguntas simples, mas aprender efetivamente o idioma é raro. Pelo menos eles são bem pacientes com estrangeiros e se esforçam ao máximo para se comunicar. Acredito que isso seja resquício do isolacionismo cultural que o Japão ainda possui. Afinal, apenas no século XX os japoneses se abriram efetivamente para o mundo, e apesar de serem muito receptivos, eles têm resistência a certas mudanças.

Alguns possuem a mente fechada:
Pude conhecer diversas pessoas em minha viagem, e de fato, alguns não têm muito interesse no que acontece fora do eixo leste-sudeste asiático. Eles defendem que o Japão é o melhor país do mundo, e portanto, não tem motivo para sair de lá. Uns amigos norte-americanos até que se parecem com eles né? Não acredito que exista um melhor lugar no planeta, a sua imensidão e diversidade é a sua graça, pois, mesmo com o Japão sendo um país incrível, ainda há tanto para se conhecer afora. Essas pessoas mais fechadas, claramente ainda possuem esses resquícios isolacionistas. Obviamente, esse grupo representa apenas uma parcela da população, que por sinal está diminuindo, a juventude é cada vez mais interessada no ocidente. É importante enfatizar que essas críticas não estão de maneira alguma defendendo a abdicação da cultura japonesa, que é fortíssima, bela e super interessante, afinal, você não precisa deixar as origens para poder viver novas experiências inter-culturais.

Concluindo..
Seja para visitar ou morar, o Japão é um país maravilhoso, que possui seus defeitos, mas no geral possui muito mais qualidades. Se hoje o país é pró3spero, foi porque se desenvolveu muito no último século, pois, eles já foram uma nação muito mais pobre, onde muitos não acreditariam no patamar que alcançaram atualmente. Logo, não existe povo condenado ao fracasso, não existe povo “preguiçoso”, todos podem se desenvolver se a oportunidade for dada, e quem sabe isso não aconteça também na terra do futebol e do samba.
No século XIX, um estrangeiro no Japão escreveu:

“Rico não acreditamos que ele (o Japão) algum dia será. As vantagens proporcionadas pela natureza, com exceção do clima, e o amor das próprias pessoas pela indolência e pelo prazer não permitem que isso aconteça. Os japoneses são uma raça feliz e, contentando-se com pouco, provavelmente não conseguirão muito.”


Leonardo Teixeira - 03/03/2016

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Deus existe? A Reposta é irrelevante


     Este texto não visa provar ou refutar a existência de Deus. É impossível comprovar sua existência, mas como a ausência de evidencia não é evidencia de ausência, também se torna impossível comprovar sua inexistência.
     A resposta para essa dúvida não é importante, e sim a influência dessa questão em nossas vidas. A influência de Deus em nosso cotidiano é tão obsoleta que sua presença é irrelevante. Uma pessoa que testemunha um crime e não tenta impedi-lo é como se nunca estivesse lá.
     Nossa vida é controlada por nós mesmos, somos livres para fazermos nossas próprias escolhas e a partir de nossas decisões a vida é guiada unicamente por nós mesmos. Afirmar tais coisas pode dar uma sensação de vazio, desconforto e até abandono. Ter um Deus cuidando e nos guiando dá uma sensação de conforto e significado para nossas jornadas, a finalidade da religião deveria ser fazer as pessoas se sentirem bem consigo mesmas e com os outros e se você é uma pessoa que busca algo assim, jamais desista disso.
     O problema é que muitas vezes as pessoas são julgadas pela sua opção religiosa. Um ateu pode ser uma ótima pessoa, assim como um católico, um muçulmano ou qualquer outra pessoa proveniente de outra religião. Escolha religiosa não define caráter, uma pessoa de índole ruim que entra pra igreja continua ruim. A descrença em Deus é muitas vezes associada à maldade e a frieza, eu prefiro enxergá-la como uma opção de amor a humanidade. Nós somos responsáveis pelas nossas escolhas e somos responsáveis em arcar com as consequências de nossos atos.
     Acredito que seguir uma religião de maneira saudável, sem fanatismos e preconceitos, pode ser algo maravilhoso. Mas é importante para o crente manter sua individualidade. Vemos muitas pessoas com lavagens cerebrais que perdem totalmente a capacidade de acreditar nas coisas por conta própria, apenas seguem o que o líder manda. Todos somos únicos, e nenhuma pessoa ou livro pode restringir suas opiniões pessoais.
     O que vemos no religioso muitas vezes é um egoísmo enorme, onde tudo se trata dele mesmo e qualquer ato bom é realizado apenas para chegar ao ‘céu`, nunca pelo desejo de ser bom.
     Faria muito mais sentido Deus perdoar um bom ateu, e não um mal cristão. Pois, se eu fiz algo bom em vida não foi por ele, e sim pela humanidade. Quando começarmos a fazer bondades por altruísmo e não por medo de ir para o inferno, será quando o ser-humano realmente atingirá um nível espiritual admirável, independente de existir um Deus.

Leonardo Teixeira - 01/09/2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Porque eu não sofro mais por futebol


     Não vale a pena. O futebol é uma paixão intensa que muitos brasileiros têm, o problema é que essa paixão não é recíproca. Em meio a toda a crise da FIFA com CBF, com cartolas, com Conmebol, e muito mais gente, me pareceu oportuno escrever sobre esse assunto. Não me ocuparei aqui de falar sobre as recentes fraudes descobertas, até porque elas não foram surpresa nenhuma, todos nós esperávamos por isso, a diferença é que agora finalmente essa corrupção foi exposta.

     Seria suicídio deixar um título de um campeonato ser decidido com um lance ao acaso com tanto dinheiro envolvido, isso é simplesmente inviável. O futebol movimenta dinheiro demais para ficar à mercê da sorte. Não quero dizer que todos os torneios foram decididos por cartolas, mas não há duvidas que diversos foram.

     Qualquer coisa que move as pessoas através da paixão sempre atrai interessados em enriquecer a partir disso, e logo esse instrumento de paixão vira um negócio, mesmo que os ‘apaixonados’ não percebam. No futebol aconteceu exatamente isso, desde décadas atrás essa área vem se enriquecendo cada vez mais, se apoiando na paixão incondicional dos torcedores, pois sem torcida não há futebol, ou seja, não há negócio.

     A idéia desse texto não é fazer as pessoas abandonarem o futebol, eu mesmo continuo apaixonado, mas jamais como no passado. Quando eu era mais novo, até uns 15 anos, costumava ser fanático, chorava, sofria, perdia meu dia, às vezes, pelo meu clube amado. Quando cresci e amadureci, percebi que eu amava o futebol, mas o futebol não me amava. Passei a entender que futebol é um negócio, e como todo negócio, o dinheiro fala mais alto. O maior problema do torcedor é que ele ainda enxerga o nosso principal esporte com romantismo, ele ainda acha que jogadores são heróis.

     Nossos valores estão trocados, nossos heróis deveriam ser Gandhi e Einstein, não Neymar ou Ronaldo. O futebol é uma paixão, um hobby, não nossa vida. E quando começarmos a tratar o futebol dessa forma, ele vai nos tratar da mesma maneira.

     Não pense que deixarei de acompanhar meu time e sofrer por ele. Minha relação com o futebol é como aquele ex-relacionamento que você teve e se decepcionou, e que você insiste em reatar sabendo que nunca será como foi, mas você reluta em abrir mão de sua paixão.

     Desde a super controversa Copa do Mundo no Brasil, o povo brasileiro tem cada vez maisficado descrente do futebol, e como não estou aqui para ficar em cima do muro, apoio muito esse movimento. Os estádios estão esvaziados e a audiência na televisão caindo. Mas isso não quer dizer que estamos deixando de gostar do nosso esporte, estamos na verdade nos afastando desse futebol que não é o nosso, é um comércio. Um jogador reserva de time grande não pode ganhar 100 mil reais por mês, os nossos queridos times estão cada vez mais endividados, pois é impossível bancar tais custos. Os times europeus, oriundos de países com economia muito mais sólida que a nossa, tem condição de arcar com esses valores, mas não nós. Como são eles que costumam liderar as direções do esporte, nós não temos condições de segurar um jogador de destaque por mais de um ano em nosso país.

     Estou aqui para refutar o futebol de elite, o futebol milionário e fajuto, que é um grande negócio, “mas paga de” emotivo. Estou aqui pra defender o verdadeiro futebol, aquele que você joga por pura paixão, com chinelo marcando gol, com aquela bola murcha, sem espectadores, sem glamour. Esse verdadeiro futebol é o que eu amo, é o que eu defendo, é o que eu jogarei até o fim de minha vida.

     Digo sim ao verdadeiro futebol moleque, o que não possui preço, esse que me inspira, esse que eu amo, e que nenhum cartola, nenhum Blatter, nenhum presidente da CBF pode destruir. Esses velhos de colarinho branco não possuem a menor idéia do que é futebol e jamais saberão, o que é uma penameu amigo, pois  futebol é incrível. E esse esporte maravilhososó pode ser visto nas praças publicas, nos campos barrentos, não na televisão.

Leonardo Teixeira 15/06/2015

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A Era das Franquias no Cinema

       Vivemos na era das franquias no cinema, onde qualquer filme de sucesso ganha uma sequência. Afinal, a indústriacinematográfica como qualquer outra indústria busca o lucro, e vender o quinto filme de uma franquia já consagrada é muito mais fácil do que vender algo desconhecido, mesmo que a qualidade desses longas-metragensseja questionável.
Senhor dos Anéis exigiu altos investimentos de risco e inovações tecnológicas. Após o sucesso, uma nova trilogia de prelúdio, O Hobbit, foi produzida.
       Vivemos uma escassez de novidades na telona, mas a falta de criatividade não é o único problema em Hollywood, a falta de ousadia para assumir riscos com projetos novos também. Fazer o básico sempre funcionou e enquanto der dinheiro não há porque mudar. Portanto, pouco se cria, muito se transforma, e o resultado disso são franquias intermináveis que muitas vezes tem uma grande queda de qualidade ao longo das seqüências.
Transformers, franquia que começou bem, mas a cada filme vem se degradando mais. Ainda assim, não há previsão para o encerramento da saga.
       Transformers e Piratas do Caribe são bons exemplos de franquias que começaram com filmes muito legais, mas que ao longo da saga foram se perdendo, fazendo uma sequência mais catastrófica que a outra. Piratas do Caribe 4 e Transformers 4 foram desastres de filme em relação à qualidade, mas foram um estouro de bilheteria. O quinto filme dos dois estará em cartaz nos próximos anos, o que é totalmente compreensível após ambas as franquias já terem lucrado bilhões de dólares.
Tobey Maguire (esquerda) e Andrew Garfield (direita). O homem-aranha de Tobey deveria ter ido até o sexto filme, mas parou no terceiro, já o de Garfield nem conseguiu fechar sua primeira trilogia, encerrando no segundo filme com uma história sem conclusão. 
       Uma franquia que já se prolonga há anos e que talvez seja a mais desorganizada e cheia de contradições é a dos X-Men. Onde os diversos filmes se perdem no próprio universo, até por isso a série deverá sofrer um reboot (reiniciar do zero) nos próximos anos. Falando em reboot, não tem como não comentar o caso de Homem-Aranha, que em menos de 10 anos já sofrerá o segundo reboot! Seja no homem-aranha com Tobey Maguire ou com Andrew Garfield, a falta de planejamento ou brigas entre elenco e produtores fizeram uma verdadeira bagunça de histórias incompletas. Há meses a Sony, dona dos direitos do homem-aranha no cinema, fechou parceria com a Marvel para juntá-lo com os vingadores. Esperemos agora que esse novo homem-aranha seja melhor do que os anteriores.
Star Wars foi se não a maior, foi umas das maiores franquias de todos os tempos. Em dezembro deste ano o sétimo episódio chega às telonas, contando com a volta de Harrison Ford (Han Solo), Mark Hamill (Luke Skywalker) e Carrie Fisher (Princesa Léia).
       É importante enfatizar que franquia não é sinônimo de repetição ou decadência, muitas franquias que foram sucesso estão voltando e são muito bem-vindas. Jurassic Park está voltando, com a promessa de um filme bem interessante. Mas o melhor exemplo é talvez a maior franquia de todos os tempos: Star Wars. Após 6 filmes, que apesar de altos e baixos, é uma série fantástica. E para o delírio dos fãs está voltando com uma nova trilogia, após a Disney comprar os direitos de George Lucas.
Harry Potter foi uma franquia que marcou toda uma geração, onde se viu os atores crescendo junto aos personagens ao longo dos anos. 
        Outra franquia de grande qualidade é a de Harry Potter, que marcou a infância de muitos como a minha. Após 8 filmes a história foi concluída, mas a séria deve voltar para contar novas aventuras antes de Harry ter nascido. Obviamente ver todo aquele mundo de novo será muito legal, espera-se apenas que se mantenha a qualidade.

       Usando ainda Harry Poter como referência, a franquia foi uma das primeiras a dividir o último livro em 2 filmes, tanto por questão de historia quanto financeira. O problema é que outros resolveram fazer isso sem essa necessidade. Jogos vorazes que tem se mostrado uma série bem interessante, com grande adoração do público jovem, também fez essa divisão, que talvez tenha sido desnecessária, pois apesar do último filme não ter saído ainda, o penúltimo foi um tanto fraco e devagar, tentando segurar o clímax para a segunda parte. Uma franquia que com certeza não devia ter feito essa divisão é a de Crepúsculo. Não entrarei na questão da qualidade da série, mas é um tanto óbvio que os 2 últimos filmes podiam muito bem ser apenas um só. O resultado dessa divisão foi uma enrolação chata e cansativa.
Velozes e Furiosos se tornou um fenômeno mundial, sua fórmula simples, buscando o entretenimento do público tem funcionando muito bem, afinal, mais filmes estão por vir.
       O interessante é que apesar de todas as críticas, todas as franquias citadas tiveram arrecadações imensas. Afinal, bilheteria e qualidade não andam juntas. Uma saga que já está nos cinemas há muito tempo e vem arrecadando cada vez mais é velozes e furiosos. Que mesmo após 7 filmes, ainda se tem planejamento para ir até o décimo. Apesar de ser um tanto repetitivo ao longo da seqüência, o filme de ação e corrida é uma franquia ‘honesta’, com uma história muito simples, que funciona, e não se contradiz ou decai de qualidade ao longo da saga.
A fórmula dos Vingadores, onde a maioria dos super-heróis tem um filme solo e depois todos se reúnem em um mesmo longa-metragem tem obtido receitas bilionárias.
       A franquia que não pode ficar de fora desse texto foi a que encontrou a chave do sucesso e que agora é a sensação do momento, os Vingadores e seus derivados. A saga irá se estender pelo menos até 2019. Disney/Marvel com seu ‘universo compartilhado’, onde todos os filmes têm relação e se conectam, é praticamente uma sumidade. O que é uma grande vantagem financeira, pois qualquer longa-metragem que a Marvel lança é conectada aos seus Blockbuster  (filmes de grande sucesso comercial), o que sempre garante um retorno lucrativo de seus investimentos. A D.C. que anda atrás da Marvel na competição das bilheterias, finalmente começou a repetir essa fórmula que deu certo e agora está trazendo seu próprio universo compartilhado para as telonas nos próximos anos, começando com Batman vs Superman.

       As franquias já são um sucesso desde décadas atrás, afinal, é animador assistir um filme divertido e fica esperando para ver sua continuação. Saber a hora de concluir a história da saga é importante, pois o prolongamento excessivo e a queda de qualidade são os maiores problemas enfrentados pelas franquias. Mas, como continuações sempre são muito lucrativas por piores que sejam, o melhor negócio é continuar produzindo interminavelmente mesmo...

Leonardo Teixeira  08/06/2015

sexta-feira, 5 de junho de 2015

amBush.

 John Ellis “Jeb” Bush, Rand Paul, Hillary Clinton, Scott Walker - os candidatos favoritos nas eleições primárias à presidência dos EUA são cheios das propostas de como “renovar a esperança americana”, “projetar os ideais americanos ao mundo”. Sabendo a necessidade da República de publicar matérias de cultura nerd, nostalgia da pátria amada, aqui lidaremos com menos sacanagem - as projeções para a política externa americana, baseada nos estudos do grande prepotente a quem vos escreve, e lembre-se de que, apesar desses não serem os únicos candidatos, considero esses os mais importantes, pois abarcam dois neo-conservadores, um sulista e parente dinástico e uma ex-secretaria de estado - a única mulher até então. Escolhi os mais propícios a serem eleitos para a próxima etapa das eleições, em 2016, de acordo com as intenções de voto.
  Primeiramente, Jeb Bush tem seu irmão, George W. Bush, como seu conselheiro para as questões do Oriente Médio: é realmente interessante ter um sujeito que até os republicanos tentam manter sob uma espessa capa de invisibilidade, justamente para fugir da questão controversa da Guerra do Iraque? Pois bem, em uma entrevista dada à Fox News no início de maio, quando perguntado pela jornalista Megyn Kelly se “sabendo o que sabemos agora [das informações coletadas sobre a possibilidade de armas de destruição em massa no Iraque], você teria autorizado o ataque?”, Jeb não só confirma que o teria feito assim como afirma que Hillary Clinton, ex-secretária de estado para Obama (e talvez a corna mais famosa do mundo), no lugar dele ou de qualquer outro teria atacado o Iraque do mesmo jeito.
  A questão da Guerra do Iraque é realmente muito difícil de ser confrontada, principalmente para um republicano e parente direto de um ex-presidente americano que perpetrou o conflito para descobrir, no final, que não havia nada do previsto a ser descoberto nos confins do estado muçulmano. Porém não houve nem jogo de cintura na resposta de Bush, o que lhe custou um mês inteiro tentando justificar sua resposta, primeiramente dizendo que havia ouvido mal a pergunta, depois convidando aliados para o defenderem, mas sua clarificação tardia terminou em “eu não sei exatamente o que eu teria feito”.
  Too little, too late, o fato é que Jeb, de acordo com o que pode ser estudado no seu website, no site do congresso e nas matérias de política externa e entrevistas, deseja voltar à doutrina unilateral americana de seu irmão, moldar seu padrão único de reação a ameaças, tomar uma posição mais firme contra a Rússia na crise ucraniana enquanto intensificando a participação no conflito contra o Estado Islâmico (mais uma organização que deseja instalar o eterno e magnífico califado mundial na terra e o divino no céu, afinal eu nunca ouvi essa história antes), e sendo contra a suspensão do embargo econômico sobre Cuba. Mas a maior dúvida, em mim, é perguntar se é mesmo saudável para uma democracia uma dinastia de uma família na presidência: sério mesmo que é sensato colocar mais um Bush no poder, sendo que irmão e pai já haviam ocupado o mesmo cargo, com basicamente o mesmo perfil executivo de secretários? A família Bush pensa que sim…

  Tendo-me satisfeito em achincalhar mais um Bush, passemos para Rand Paul e Scott Walker, que são os moderados entre os candidatos republicanos, além de mais novos e representando o neo-conservadorismo que precisa ganhar mais base com a juventude americana, mais disposta a se tornar democrata do que associada ao conservadorismo. Ambos concordam com uma ação mais firme contra as atitudes do governo de Vladimir Putin, atual presidente da Rússia, assim como uma mudança para uma política de balança - poder de árbitro no sistema mundial muito mais do que ator direto, beligerante, aproximar as partes hostis como Palestina e Israel sob o antigo desejo de um acordo de paz entre as partes.
  Rand Paul, nesse caso, é direto: quer cessar qualquer apoio à Autoridade Palestina, pois ela “guerreia contra a cristandade no Oriente Médio”, trazendo ao mesmo tempo os dois à mesa - controverso por demais. Scott Walker também acredita no diálogo entre as mesmas partes, porém se vê aqui que realmente o que Walker mais faz é “pegar carona” no discurso dos outros - ele reconhece sua inexperiência em política externa e inteligência, trabalha com um grupo de conselheiros experts desse âmbito na sua campanha. Mais um ponto em que os dois podem concordar com o atual presidente é com relação a suspensão do embargo econômico sobre Cuba.
  Quanto a Hillary, francamente com o segredo mais mal mantido da década (sua candidatura à presidência dos EUA), sua posição em política externa permanecerá semelhante a do atual presidente, ao meu ver, visto sua experiência como secretaria de estado e o desejo dos democratas de elegerem alguém com essa experiência. Mesmo suspeitando de que Obama é o tipo de pessoa que se diverte chupando gelo, sua atitude de retirar Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo reflete, e muito, sua política externa de “renovação da liderança americana”: dois estados que se hostilizavam desde o período mais perigoso da Guerra Fria (Crise dos Mísseis) resolvem cooperar, mesmo porque, diante das circunstâncias geográficas, ele estão condenados a conviver.
  O Iran também serve de exemplo de como Obama limita a projeção militar do EUA no mundo, através dos acordos multilaterais que envolvem Arábia Saudita, Israel e Rússia na questão de limite da tecnologia nuclear em desenvolvimento no país, tudo para diminuir, na medida do possível, o custo de manutenção das forcas armadas americanas na região.
  O problema desse custo é que, pasmem, EUA são o hegemon econômico mas necessitam renovar seus recursos domésticos no contexto pós-crise de 2008, em que os recursos energéticos americanos sofrem de tecnologia defasada, não podendo comportar a energia elétrica para o crescimento que o país almeja no futuro, Social Security (previdência social americana) que se tornará insuficiente em um mesmo período de tempo (tão ou mais vergonhoso quanto a nossa própria previdência hoje em dia) com a população mais velha, e um sistema de saúde que ja está há algumas DÉCADAS para ser reformado no congresso, tendo em vista as dívidas acumuladas pelos indivíduos que passaram por caros tratamentos nos hospitais e, ainda mais hoje, tem dificuldade de pagar por eles - o sistema de saúde americano não é preventivo, é reativo, se baseia mais no tipo de tratamento que o plano de saúde do paciente cobre do que no próprio paciente.
  Portanto limitar a expansão militar americana, bem como a ação direta dos Estados Unidos nos cantos mais animados do mundo, a meu ver, não são por conta de Obama ser “socialista-petralha-soviético-subalterno”: é uma questão pragmática que remete à estabilidade interna do estado; caso contrário será menos possível manter a posição dos EUA no mundo. Obama, então, não se preocupa em manter um mesmo padrão de reação como Bush filho (Bushzinho), ao invés disso, utiliza o “dois pesos, duas medidas” - política unilateral com Cuba, e multilateral  com Iran e Líbia.
  Finalmente, os pontos em que todos realmente concordam e que podem ser base para forjar uma política externa na qual os dois maiores partidos políticos dos EUA cooperam é em reforçar a posição da OTAN no contexto atual, já que seu objetivo de impedir o avanço soviético é obsoleto no contexto pós-guerra fria, mas ainda causa grande receio por parte da Rússia, que se vê num cerco cada vez maior e mais perto do antigo território soviético (onde ela não arreda o pé), formado pela organização. Precisa-se aproximar a Rússia dos assuntos internacionais enquanto evitando que ela consiga mais poder geopolítico do que já tem: a Rússia, e todos que têm um mapa em casa sabem, é um pouquinho extensa, passa por áreas com vastas jazidas de recursos naturais das quais garante parte de sua receita anual, e como manter um país tão grande como esse tão pequeno nas relações internacionais? Reforçar a participação da OTAN diminui também a necessidade da presença unilateral americana, despende menos custos para a manutenção de seu aparato militar, desse modo o estado pode se concentrar nos problemas domésticos acima mencionados.
  A reafirmação de Israel como aliada no Oriente Médio é outra afirmação, já que os EUA acreditam que, apesar dos pesares, Israel é a única democracia da região, e é responsável por manter a relativa estabilidade da região, e grande aliada na observação e contenção do Iran e Estado Islâmico também. A última é evitar ao máximo uma política isolacionista do governo americano, justamente por causa do medo da situação internacional se tornar uma crise tão grande, que apenas a participação direta dos Estados Unidos em uma guerra conseguiria restaurar uma ordem na qual todos poderiam consentir no mundo, como ocorreu na Segunda Guerra Mundial. Os EUA não podem se isolar se procuram (e claro que procuram) se manter como o hegemon econômico e o estado vanguardista das questões liberais, ou seja, todos esses candidatos concordam que os EUA devem fazer uma militância pelo mundo, mesmo que não concordem com o método de fazê-lo. Pausa para um hambúrguer do McDonald’s em homenagem aos nossos candidatos Yankees. 

Luiggi Guetti 5/06/2015

  

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Brasil: Um país que nós amamos odiar

Comecei a escrever esse texto há meses atrás, quando me mudei do Brasil para Toronto, no Canadá. Naquele texto eu relatava toda minha indignação com minha terra natal e como os canadenses tinham uma vida de muito mais qualidade. No texto que você está lendo agora ainda relatarei essas coisas, mas não como no passado. Após 1 ano na América do Norte estou voltando a nossa terra verde e amarela, durante esse tempo nada melhorou na vida dos brasileiros, talvez até piorou, mas de uma maneira 'estranha', estou empolgado com o que estar por vir. O principal motivo pelo meu retorno é o de concluir minha graduação, mas a saudade de minha família e outros fatores também motivou essa decisão 'estranha'. Antes de tentar explicar essa 'estranheza', irei relatar minha indignação com o Brasil, o que não será novidade para os brasileiros já acostumados com os problemas do cotidiano.

No Canadá eu aprendi o que é ter um transporte público tão bom, que comprar um carro é desnecessário. Também aprendi como é bom andar na rua em qualquer horário sem medo de ser assaltado, me acostumei a usar o celular e abrir a carteira no centro da cidade sem nenhum risco de furto. O alto grau de educação dos canadenses é refletido nos lugares público, onde as pessoas respeitam o patrimônio publico e se respeitam. O maior responsável pela limpeza das ruas não é um gari e sim a próprio cidadão que tem a simples de educação de procurar uma lixeira.

Meu ano nas terras geladas do Canadá me proporcionou grandes experiências e aprendizado, sentirei falta de muitas coisas. Sentirei saudade da internacionalidade de Toronto, uma cidade incrível que tem um pouco dos 4 cantos do mundo. Sentirei saudade dos bons serviços públicos canadenses, onde a polícia, bem remunerada e treinada, é instrumento de segurança, não de medo. Sentirei saudade de toda a mordomia de viver em um país de primeiro mundo. Mas com certeza não sentirei mais saudade do que senti pelo Brasil.

De certa forma, essa saudade é irracional, porém existente. As pessoas que conheci no Canadá, nativos ou vindo de outros países desenvolvidos como Coréia do Sul ou Japão, não tem a menor ideia da realidade que se vive no Brasil e espero que eles nunca conheçam essa parte ruim do nosso país tropical. Mas torço que eles tenham a oportunidade de conhecer o lado maravilhoso que nós temos, um lado que nenhum país desenvolvido talvez possa ter.

Muitas pessoas falam que povos oriundos dos países de primeiro mundo são mais frios e que esse calor brasileiro não se encontra em lugar nenhum. Não posso afirmar que esse calor só se encontra no Brasil (para isso preciso viajar muito mais), mas posso dizer que por mais que isso soe clichê, é real. A fama do brasileiro no exterior é relacionada muitas vezes como preguiça, descompromisso, mas também temos fama de sermos extremamente amigáveis, alegres e por isso muitas pessoas tem curiosidade de visitar nosso país.

A paixão dos brasileiros com sua pátria em meio a tantas coisas boas e ruins é a 'estranheza' da qual falei anteriormente. A terra do canarinho é de certa forma muito preto no branco, onde tudo é extremo, tantos os problemas quanto as qualidades. Nós somos o país com um dos melhores climas do mundo, com paisagens naturais 'abençoadas por Deus'. Somos o lugar com uma das comidas mais deliciosas, com um povo caloroso que muitos invejam, digo isso baseado em comentários de amigos asiáticos que conheci. Os brasileiros possuem esse preto no branco em seu comportamento, onde a falta de educação de uns contrapõe a simpatia de outros.

Quando fui para Toronto imaginei que nunca mais iria voltar, sempre fui uma pessoa desapegada de laços, mas pela primeira vez sinto falta de minha família e de meu país. Eu amo e odeio nossa terra todos os dias. Como um amigo meu disse: “O Brasil é o melhor pior país do mundo”. Esse é o lugar a qual eu pertenço, não digo que ficarei nele para sempre, pois com certeza sairei de novo, afinal o mundo é muito mais que a América, mas seja onde eu for, agora, eu sei que o coração brasileiro sempre estará dentro de mim, pois não tenho vergonha de dizer: Eu Sou Brasileiro.

Leonardo Teixeira 25/05/2015

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Exoplanetas: Um portal para a vida

Antes de começarmos nosso artigo, você sabe o que são exoplanetas? Exoplanetas são quaisquer planetas fora do sistema solar, que orbitam outra estrela que não seja o Sol. O estudo deles é importantíssimo não apenas pelo maior conhecimento do universo, mas também pela busca de vida fora de nosso planeta.

Exoplanetas são uma área de estudo recente na astronomia, isso porque é muito difícil estudá-los. Não basta apontar um telescópio e enxergá-los, pois são muito menores que as estrelas. Com o desenvolvimento de novas técnicas, a partir da década de 90, começamos a descobrir a infinidade de possibilidades que este mundo apresenta.

Atualmente existem 2 técnicas básicas para descobri-los e estudarmo-los:
 


Trânsito (bloqueio de luz): Quando um exoplaneta e uma estrela distante se alinham com a Terra, parte da luz da Estrela é bloqueada, como você pode ver na imagem, a curvatura da luz é alterada quando isso acontece. A partir dessa diferença de brilho podemos descobrir um novo exoplaneta. O problema da técnica de Trânsito, é que ela exige um perfeito alinhamento entre a Estrela, o exoplaneta e a Terra.


Velocidade Radial: Usa a atração gravitacional para detectar. A técnica analisa como o planeta puxa para trás e para frente a Estrela. É conhecido como bamboleio também, a própria imagem explica o motivo do nome. A partir dessa variação do movimento da Estrela, é possível detectar um novo exoplaneta.

(Lembrando que não existem apenas estas 2 técnicas. Essas são as 2 principais atualmente. Ainda existem também, variações das técnicas apresentadas acima.)

Como os métodos de detecção não são perfeitos, a grande maioria dos exoplanetas descobertos são muito grandes, pois são muito mais fáceis de se detectar com as 2 técnicas mostradas. Ainda assim existem casos fascinantes, como o do planeta HD209458-b (nome díficil ein), ele é 38% maior que Júpter, mas possui apenas 71% de sua massa. Outro caso fascinante são os planetas de diamante; acredita-se que em certos locais com muito carbono e pressões muito altas, podem existir planetas inteiros de diamante!  A inversão térmica é outro ponto importante também; como todos sabem, aqui na Terra quanto mais alto, mais baixa é a temperatura, enquanto em planetas como Júpter e Saturno é o oposto, quanto mais perto do centro, mais frio é. O interessante é que existem exoplanetas que apresentam essa inversão e outros que não. O motivo? Existem teorias, mas não há uma resposta concreta por enquanto.

Nos últimos anos com o aperfeiçoamento dos métodos de detecção, começamos a descobrir exoplanetas menores, como Kepler 62e Kepler 62f, que são menores que o dobro da Terra. Isso abre a porta para começarmos a estudar planetas com tamanho semelhante ao nosso.  Isso foi muito possível pelas Anãs Vermelhas (representam 70% das estrelas na Via Láctea), que são um tipo de estrela menores, mais frias e que brilham muito menos, chegam no máximo a 10% de luminosidade de uma estrela mediana. Ainda assim elas possuem planetas que as orbitam, muitos deles com possibilidade de vida. Sendo que estes planetas são muito mais fáceis de detectar, como a Anã Vermelha é muito menor que uma estrela, mais luz será bloqueada pelo planeta (utilizando a técnica de trânsito) e ela também será mais influenciada pela atração gravitacional (velocidade radial).




Até os anos inicias da década de 2000 os astrônomos não acreditavam que encontraríamos muitos exoplanetas pelas dificuldades de detecção. Mas nos últimos anos, vivemos uma verdadeira avalanche de descobertas. Em 2011 chegamos a média de 3 exoplanetas descobertos por semana! Atualmente estima-se que existam cerca de 100 bilhões de planetas na nossa galáxia, muitos deles estão em zonas consideradas habitáveis. O grande caso recente é o do Kepler 186-f, que possui o tamanho da Terra, está em uma zona habitável e é possível até que haja água líquida lá. Importante destacar que estar em uma zona habitável não significa ser habitada. Por enquanto ficaremos sonhando com a comprovação de vida extraterrestre. Mas os dados não negam, a vida fora da Terra é extremamente provável.


Leonardo Teixeira 30/04/2014

quarta-feira, 26 de março de 2014

Análise do Oscar 2014

Gostaria de deixar bem claro que esta análise é a minha opinião, sinta-se à vontade para concordar e discordar, afinal, qualquer comentário é muito bem-vindo aqui.

O Oscar 2014 foi a 86ª cerimônia de sua história. 12 Anos de Escravidão levou o prêmio de melhor filme, mas Gravidade foi o que levou mais estatuetas, 7 delas.

Comecemos a análise pelos prêmios de menor importância:


Gravidade levou 7 estatuetas, dominou as chamadas categorias "técnicas", levando:

- Melhor Montagem
- Melhores Efeitos Visuais
- Melhor Fotografia
- Melhor Edição de Som
- Melhor Mixagem de Som
- Melhor Trilha Sonora
- Melhor Diretor

As estatuetas "técnicas" conquistadas foram merecidíssmas, o filme conta com belos efeitos visuais, mergulhando o espectador na trama. O conjunto da obra acabou premiando Alfonso Cuarón, que ganhou o prêmio de Melhor Diretor, a estatueta mais importante conquistada pelo filme na premiação. Gravidade possui ação incessante e vale muito a pena assistir os belos efeitos especiais. A sua indicação foi muito justa, mas o filme realmente não mereceu levar o prêmio.



O Grande Gatsby levou 2 estatuetas:

- Melhor Direção de Arte
- Melhor Figurino

Apesar de ter sido um filme muito contestado, O Grande Gatsby conta com um visual deslumbrante, tanto o cenário, quanto o figurino, o filme dá a sensação de acontecer num mundo fictício, lúdico e belo.
Destaque para a atuação de Leonardo DiCaprio, que apesar ter sido indicado a melhor ator pelo Lobo de Wall Street, foi muito bem como Jay Gatsby.




Vejamos agora os prêmios de melhores atores:
(Melhor atriz coadjuvante será discutida mais a frente)
Clube de Compras Dallas levou a estatueta de Melhor Maquiagem e Cabelo, mas seu grande destaque foi:

- Melhor Ator Coadjuvante - Jared Leto
- Melhor Ator - Matthew McConaughey

Jared Leto teve uma grande atuação em Clube de Compra Dallas, fazendo o papel de um homossexual com HIV. Na minha opinião, sua indicação é mais do que merecida, mas Jonah Hill (O Lobo de Wall Street) merecia ter levado o prêmio de melhor ator coadjuvante. Matthew McConaughey, que perdeu 20 quilos para as filmagens, teve um atuação incrível. Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street) poderia ter levado o prêmio também, mas McConaughey ter ganho não foi nenhuma injustiça. Clube de Compras Dallas, baseado em uma história real, aborda a questão do homossexualismo e da Aids. Sua indicação a melhor filme do ano não é nenhuma surpresa, se ganhasse a estatueta não seria um erro, pois já houveram anos em que os filmes vencedores do Oscar era bem mais fracos. Um excelente filme que tem de ser assistido.


Blue Jasmine, de Woody Allen levou 1 estatueta:

- Melhor Atriz - Cate Blanchett

Cate Blanchett, interpreta uma ex-rica, que após perder o marido enfrenta os problemas cotiadianos de uma classe média-baixa. Cate certamente mereceu o prêmio, sendo ela o ponto mais forte do filme. Blue Jasmine, mais uma tragédia romântica de Woody Allen, é bom, nada mais, nada menos. Está longe de ser um dos melhores romances do diretor, mas ainda vale a pena assistir as cenas cômicas que Cate Blanchett é obrigada a viver em Blue Jasmine.



Melhor filme estrangeiro:

A Grande Beleza, produção italiana, é um belíssimo longa-metragem vencedor de vários prêmios europeus e o Oscar de melhor filme estrangeiro certamente pertencia aos italianos. Toni Servillo, que merecia pelo menos uma indicação a melhor ator, incorpora um escritor infeliz que há décadas atrás escreveu um livro de sucesso e desde então nunca mais produziu outra obra. A Grande Beleza retrata bem a alta sociedade italiana, com seus luxos, fama, privilégios, mas que ainda assim é infeliz. Um filme encantador e cômico, que com certeza merece ser assistido.





Melhor Roteiro Original:
(Melhor roteiro adaptado mais a frente)


"Ela" retrata um romance futurista entre Theodore (Joaquin Phoenix) e um computador chamado Samantha. O roteiro de Ela é realmente belíssimo, o prêmio realmente é seu. A indicação a melhor filme é até justa, mas já se sabia que não iria ganhar. A bela voz de Scarllet Johanson, interpretando o computador, é também destaque para o filme. "Ela" é um romance interessante, curioso e bonito, um filme muito agradável de se ver.







Melhor Filme:
12 anos de Escravidão ganhou vários prêmios:

- Melhor Roteiro Adaptado
- Melhor Atriz Coadjuvante - Lupita Nyong'o
- Melhor Filme

O roteiro de 12 anos de escravidão não é surpreendente, mas sua vitória não é nenhum absurdo. Lobo de Wall Street ou até Capitão Phillips poderiam ter ganho também. De qualquer forma, nenhum deles supera Ela (vencedor do melhor roteiro original). Já, Lupita Nyong'o mereceu muito a estatueta de melhor atriz coadjuvante, realizou grande interpretação de uma jovem escrava chamada Patsey. Quanto a vitória de melhor filme, 12 anos de escravidão é de fato um excelente longa-metragem, talvez não seja o melhor do ano de 2014, mas sua escolha não é nenhum absurdo. A sua vitória era previsível pelo seu tema sem polêmicas, com compromisso social, agradando a academia do Oscar, que muitas vezes prefere escolher o filme politicamente correto, do que o verdadeiro melhor do ano. Independente das polêmicas, o longa retrata a emocionante história de Solomon Northup, um negro livre que é sequestrado para trabalhar como escravo, é uma história que merece muito ser assistida.



Destaques:
Trapaça certamente é um ótimo filme e mereceu sua indicação a melhor filme do ano. O longa realmente não mereceu ganhar a estatueta, houveram concorrentes melhores, mas o que não deprecia a qualidade dele. O elenco de Trapaça merece destaque, Cristian Bale, Amy Adams, Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, todos indicados aos prêmios de melhores atores, tendo grandes atuações. Nenhum deles ganhou, mas apenas porque haviam candidatos melhores. O forte elenco interpreta a história de 2 trapaceiros, que após serem pegos pelo FBI tentando enganar clientes, são forçados a entregar outros trapaceiros para a polícia. Trapaça pode não ter sido o melhor do ano, mas certamente merece ser assistido.



Capitão Phillips conta com grandes atuações de Tom Hanks, mesmo não tendo sido indicado a melhor ator ,e Barkhad Abdi, que foi indicado a melhor ator coadjuvante. O filme conta a história de um sequestro de um navio cargueiro por piratas na Somália. Apesar das diversas críticas quanto a precisão histórica, o filme é bom. A sua indicação a melhor filme não foi um erro, mas a sua não indicação também não seria um absurdo, visto que o filme estava muito distante da qualidade de outros concorrentes. Ainda assim, assistir Capitão Phillips é válido e está longe de ser perda de tempo.





O Lobo de Wall Street é a grande polêmica da premiação, tendo ocorrido grande campanha negativa contra o filme, não apenas pelas cenas de sexo, drogas, lavagem de dinheiro, entre outros, mas também pelo enriquecimento de Jordan Belfort com a divulgação de sua história nos cinemas. Quanto a qualidade do filme, é inconstetável a sua excelência. Leonardo DiCaprio, interpretando Belfort, poderia ter ganho o Oscar de melhor ator, mas sua derrota para Matthew McConaughey não foi injusta. Jonah Hill, interpretando Doonie Azoff, melhor amigo de Jordan na história, também teve grande atuação e na minha opinião merecia ter levado o Oscar de melhor ator coadjuvante. O Lobo de Wall Street mostra o esbanjamento da riqueza de um milionário de Wall Street, que assim como muitos é pego pela Receita Federal. O filme é completo, interessante, engraçado, muito bem dirigido por Martin Scorsese e na minha opinião  é o melhor do ano de 2014, tendo não levado a estatueta de melhor filme pela suas diversas polêmicas. Afinal, é de consenso geral a preferência da academia pelos filmes politicamente corretos.


Veja a lista completa de indicados e vencedores do Oscar 2014 no site do uol:
http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2014/03/03/veja-os-vencedores-do-oscar-2014.htm


Leonardo Teixeira 26/03/2014

 
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