O nosso melancólico adeus para Dilma
Somos responsáveis por eleger tantos políticos envolvidos em corrupção. Nossa democracia ainda é frágil e não irá melhorar até começarmos a votar com consciência.
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terça-feira, 31 de maio de 2016
O nosso melancólico adeus para Dilma
A saída da presidente já parece irreversível. Não
houve exatamente um golpe de estado, mas este processo está longe de ser
correto. Apesar de questionar o impeachment, não tenho nenhuma compaixão por
Dilma. Ela causou isso a si mesma. Fez uso de qualquer meio para ser reeleita,
quebrou o país para alcançar seu objetivo. Não pensou em como governaria
depois, muito menos no bem do Brasil. No entanto, sua saída não é um momento
para soltar fogos e fazer festa, e sim de reflexão.
Nos últimos 90 anos tivemos 25 presidentes, apenas 4
eleitos democraticamente terminaram o mandato, já excluindo Dilma. Desde a
redemocratização, elegemos 4 líderes e tiramos dois deles (Collor e Rousseff).
Sendo que FHC e Lula também responderam a processos de impeachment em seus
mandatos.
A nossa despedida é melancólica, pois, por mais que o
impeachment esteja previsto na constituição, ele nunca é desejável. Quando um
governante é corrupto ele tem de ser deposto, porém, temos que nos envergonhar
por tê-lo elegido. A lava-jato e a saída de nossa presidente mostram que
falhamos de novo. E se não refletirmos sobre o poder do voto, mais “Dilmas”,
“Cunhas” e “Collors” irão voltar. Na verdade, Collor já voltou, é Senador por Alagoas.
Os homens que tiraram Rousseff são acusados de cometer crimes
ainda piores do que ela. Obviamente, isso não a inocenta, mas mostra o quão
perverso este processo está sendo. Mais da metade dos membros da comissão do
impeachment, tanto na câmara dos deputados, quanto dos senadores, sofrem alguma
acusação criminal.
Nossa caça a corrupção não pode morrer no impeachment.
Como já se viu, o buraco é muito mais embaixo. Nós que somos responsáveis por
termos elegido tanto “petralhas”, quanto “golpistas”,
além de um congresso podre. E se pararmos de lutar agora, ficará claro como a
deposição de Dilma não foi um ato contra a corrupção, e sim um embate de poder
entre grupos políticos, onde o povo é a última preocupação.
Democracia sem voto consciente não funciona e por isso
estamos falhando a mais de um século. Logo, meu adeus para Dilma é repleto de
tristeza, não por ela, mas pela nossa frágil democracia.
Leonardo Teixeira - 31/05/2016
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Referências:
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/so-5-presidentes-eleitos-completaram-o-mandato-em-90-anos
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160329_latimes_impeachment_rm
http://www.bbc.com/portuguese/brasil/2016/05/160509_perfil_senado_impeachment_if_rm
terça-feira, 17 de maio de 2016
A história de Gabriela: A coxinha petralha
(Primeira parte do conto, A história de João: O pagador de impostos,
Segunda parte do conto, A história de Lucas: O homem do governo)
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Segunda parte do conto, A história de Lucas: O homem do governo)
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Quando criança, Gabriela fez catequese, odiava Darwin.
Aprendeu evolução natural na escola e passou a odiar as
religiões.
Seu pai morreu na cadeia e ela descobriu que a religião
podia confortá-la.
Foi reprovada na escola por um professor gay, se tornou
homofóbica.
Descobriu que sua melhor amiga era lésbica e mudou seu modo
de pensar.
Foi assaltado por um menino negro e virou racista.
Se apaixonou por Ricardo, um negro de origem angolana, e
percebeu que racismo não fazia sentido.
Estudou política econômica e descobriu que o Estado estava
longe de ser um instrumento para o bem do povo.
Virou liberal radical, contra a presença do governo em
qualquer situação.
Seu chefe demitiu funcionários e congelou salários mesmo com
aumento dos lucros. Descobriu que o patrão é tão perverso quanto o Estado.
Um equilíbrio entre os dois seria possível?
Gabriela era flamenguista e odiava o Vasco.
Zé Golaço, artilheiro e ídolo rubro-negro foi jogar para os
vascaínos por um salário maior.
Deixou de odiar o Vasco e amar cegamente o Flamengo.
Gabi foi petista, até que a lava-jato a impediu. Gabi foi
tucana, mas a mesma lava-jato também a impediu. Não foi PMDB porque ninguém é.
Descobriu que PT e PSDB são muito mais parecidos do que ela
pensava.
Gabi foi de direita, esquerda, centro, norte e sul.
Até que finalmente aprendeu que os extremos não funcionam.
Também aprendeu que é errado resumir uma pessoa em uma
direção, um partido ou um salgadinho.
Gabi passou a se perguntar porque brigamos tanto se todos
querem um país melhor, apenas acreditam em métodos diferentes.
Em um protesto, Gabi descobriu que as pessoas estão mais
preocupadas em estarem certas e impor sua visão aos outros do que qualquer
outra coisa.
Ela descobriu que as pessoas só querem falar, mas não ouvir.
Após 21 anos Gabi desistiu de tentar se encaixar em lados
políticos e sociais. Gabi é Gabi.
Gabriela é quem poderíamos ser e quem eu gostaria de me tornar.
-Fim da Trilogia-
Leonardo Teixeira - 17/05/2016
terça-feira, 10 de maio de 2016
A história de Lucas: O homem do governo
(Primeira parte do conto, A história de João: O pagador de impostos)
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Lucas era classe média e tinha um emprego estável. No
entanto, aprendeu com a experiência de seu pai que se não pode derrotar seus
inimigos deve se unir a eles.
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Lucas largou tudo e foi estudar para um concurso público.
Passou e ficou nele fazendo exatamente a mesma coisa para sempre.
Mas o para sempre o entediou, ele tinha ambições mais altas.
Com o apoio do Pastor do bairro foi eleito vereador.
Lucas descobriu que a vida de político era ainda melhor que a
de um concursado.
Virou deputado estadual. Lembrou da bondade de seu pai João
e tentou propor bons projetos para a população.
Todos eles foram barrados.
Lucas finalmente pôde entender que para aprovar projetos era
mais importante agradar os outros deputados do que apresentar algo bom.
Resolveu buscar mais poder para aplicar suas ideias
concorrendo para deputado federal.
Para ser eleito precisava de dinheiro para a campanha. Uma
empreiteira ofereceu o que ele precisava em troca de influência no congresso.
Lucas foi eleito.
Anos depois era hora de tentar a prefeitura, mas não seria
fácil. Alguns homens poderosos ofereceram a ele algo que sempre foi e sempre
será valioso: votos. Em troca de
cargos nas secretárias municipais, Lucas seria o novo prefeito da cidade.
Assim que eleito, percebeu que já não podia fazer mais nada,
sua autonomia se foi ao longo dos acordos.
Mas a vida de político ainda era ótima, cheia de glamour,
luxo e um ego muito bem alimentado.
Uma década depois, após sujar muito as mãos, agradar muita
gente poderosa e encenar muito na frente das câmeras, Lucas se tornou o
presidente do seu país.
Tanto dinheiro começou a entrar que ele teve que mandar para
a Suíça e registrar imóveis em nome de Laranjas. Lucas cobrava impostos dos
outros enquanto escondia o seu, ele agora estava do lado dos “vencedores”.
Um belo dia, quando Lucas já não era mais Lucas, e sim um
burocrata que havia esquecido tudo o que um dia sonhou, foi preso e se tornou
vergonha nacional.
Lucas foi solto, o povo esqueceu e ele foi eleito Senador.
Foi preso de novo e dessa vez não saiu.
Sempre negou todas as acusações, tudo era calúnia, todo seu
dinheiro foi conquistado com muito suor.
Apodreceu na cadeia, morreu rico, envergonhado e não pôde
ver sua filha Gabriela crescer.
Lucas são os homens do
Governo.
(Última parte do conto, Gabriela: A coxinha petralha)
Leonardo Teixeira - 10/05/2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
A história de João: O pagador de impostos
Quando criança estudou em escolar particular, pois a pública
era perigosa e ruim.
Cresceu e foi para faculdade, também privada.
Anos depois se formou e começou a trabalhar para uma companhia
de seguros.
Logo João descobriu que trabalhava quase 5 meses por ano
apenas para pagar tributos.
Ele não entendia porque pagava tantos impostos se não
usufruía de serviços públicos, devia ser para ajudar os pobres.
Mais tarde, João descobriu que programas nobres como o Bolsa
Família eram na verdade parte minúscula do orçamento público, se gastava muito
mais com mordomias a funcionários públicos, empreiteiras e desvios.
João descobriu que foi enganado a vida inteira, seu dinheiro
não estava no prato de comida de uma criança pobre, estava na Suíça.
A vida seguiu em frente, se apaixonou e casou com Maria.
Algum tempo depois Lucas nasceu.
Quando Lucas tinha 6 anos, uma crise econômica assolou o
país. João estava perplexo, a televisão e o presidente disseram que estava tudo
bem.
A recessão foi forte, os móveis parcelados na Casas Bahia
não podiam mais ser pagos, a escola de Lucas também não, João havia perdido seu
emprego.
Em resposta aos problemas, os deputados aumentaram 2 coisas,
seu próprio salário e os impostos.
João e a população ficaram ainda mais pobres.
2 anos depois a crise acabou (por enquanto).
Lucas cresceu e foi pra faculdade. João e Maria queriam se
aposentar e viajar ao redor do mundo para aproveitar os anos que restavam.
No entanto, o casal descobriu que a aposentadoria que iriam
ganhar não chegava nem perto do que gastaram com INSS durante a vida.
Tiveram que trabalhar para sempre. O governo nunca cumpriu a
promessa de ajudá-los a ter uma vida melhor. Cobrou, taxou, usurpou, mas nunca
retribuiu.
No final da vida, João contou o que aprendeu ao longo de
décadas para Lucas. O governo, em nome de um “bem geral”, favorecia uma pequena
elite política e empobrecia o resto desde o início de suas vidas. Ele dava umas
migalhas para os necessitados, como forma de compensar minimamente a fortuna
que haviam roubado, apenas para esconder que na verdade estavam tornando os
pobres, mais pobres e os ricos mais ricos. Lucas nunca esqueceu disso.
João sou eu, você e a
maioria das pessoas que conhecemos.
(Continuação do conto, A história de Lucas: O homem do governo)Leonardo Teixeira - 29/04/2016
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Bolsa Família: Nem problema, nem solução
Sobre o Bolsa Família:
O Bolsa Família é um
programa social envolto de polêmicas, discussões e opiniões equivocadas. Mesmo
assim, a ONU já o elogiou, considerando um exemplo de combate à pobreza. A
revista The Economist, famosa mundialmente, disse que o programa, gastando
apenas 0,5% do PIB, realizou grandes melhorias. A revista britânica Lancet, que
faz pesquisas cientificas na área da saúde, afirma que o Bolsa-Família teve efeito
direto na queda da mortalidade infantil, chegando a cair 19% em certos locais.
Em 2014, gastou-se R$ 26,7
bilhões de reais com o Bolsa Família. Será que esse é um preço alto para os
benefícios que trouxe? Talvez você não saiba, mas o Governo gasta muito mais
com coisas bem questionáveis. Neste exato momento, ele está investindo mais em
um tipo de “Bolsa Rico” do que com programas sociais. Os beneficiados pelo
Bolsa Família perdem mais com impostos e políticas ruins, do que ganham com o
programa.
Isenções
Fiscais e o BNDES:
Entre 2010 e 2014 o BNDES
recebeu quase R$ 288 bilhões do Governo. Entre os recebedores, estão nomes como
Eike Batista e Marcelo Odebrecht, ambos doadores para a campanha de Dilma
Rousseff. No momento em que este artigo foi escrito, Marcelo estava preso pelo
escândalo da lava-jato. Os juros que o BNDES cobra para seus empréstimos são
metade dos juros estabelecidos pelo próprio Governo, de modo que ele perde
dinheiro ao emprestar. Por ano, se gasta R$ 30 bilhões com empréstimos
subsidiados.
Com isenções fiscais para
empresas em mais de 70 programas, deixou-se de arrecadar R$ 282 bilhões em
2015, segundo a Receita Federal. Emilia Miranda Pureza, consultora de Orçamento
e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, afirma: “Não existe uma avaliação do cumprimento de metas e de efetividade em termos de desenvolvimento da economia. Não há um órgão que faça uma análise para saber se o custo das renúncias foi compensado”.
Isenção de impostos são importantes para defender a indústria nacional e estimular o desenvolvimento. No entanto, eles vêm sendo feito de maneira desordenada e sem plano de metas. Resultado disso: perdemos bilhões em arrecadação e a indústria ainda encolheu em 2015. O BNDES também é outro caso que, em teoria, seria algo ótima para o país, mas na prática está longe disso. O banco, que deveria fazer empréstimos para que nossas empresas tenham condições de realizar grandes obras e para que possamos internacionalizar nossos negócios, virou um instrumento político. Os financiamentos são feitos a partir de lobbys - os que recebem são os mesmo que doam para campanhas e pagam subornos. Diversos negócios do BNDES, nacionais e internacionais viraram alvo da lava-jato.
A
Copa do Mundo de 2014:
A Copa do Mundo realizada
no Brasil é um caso que merece ser citado aqui. O país isentou a FIFA e
parceiros de pagar impostos, deixando de arrecadar pelo menos R$ 1,1 bilhão, de
acordo com dados do Tribunal de Contas da União. A Copa de 2014 foi a mais
lucrativa da história da FIFA, faturando mais de R$ 18 bilhões. A entidade esportiva
“sem fins lucrativos” arrecadou 37% a mais aqui do que na África do Sul (Copa
de 2010), além de ter sido mais que o dobro do que ganhou na Alemanha (Copa de
2006). Nenhum país antes tinha concebido isenção fiscal total como nós. A Copa
foi realmente uma grande festa para a FIFA, governantes e empreiteiras. Já para
a população, perdemos de 7 a 1.
A
Máquina Pública Obesa:
Em 2016, finalmente
reduzimos de 39 ministérios para 32, muito abaixo ainda de países como Estados
Unidos e Alemanha, que tem menos de 20. Até 2015, os 39 ministérios estavam
custando mais de R$ 400 bilhões por ano. Só os generosos salários de mais de
113 mil empregados apadrinhados já estavam custando R$ 214 bilhões. Agora, com
menos ministérios, iremos gastar menos, mas ainda temos que perder muito peso
para chamar a máquina pública apenas de “gordinha”.
É interessante como,
durante a atual crise econômica, se propõe cortar R$ 10 bilhões do Bolsa Família
e implantar a CPMF de volta, coisas que gerariam um aumento de poucas dezenas
de bilhões na receita. Não se fala, no entanto, sobre o montante que perdemos
em isenções desordenadas, investimentos politizados, nem em redução da absurda
estrutura governamental que temos. Ou
seja, em época de crise, as únicas propostas são aquelas que sacrificam a
população, mas nenhuma que force o governo a mudar.
As
Aposentadorias Milionárias:
No livro, “Guia
Politicamente Incorreto da Economia Brasileira”, o autor Leandro Narloch aponta
como, em 2014, os R$ 26,7 bilhões gastos com o Bolsa Família beneficiaram 50
milhões de brasileiros. Ao mesmo tempo, foram gastos R$ 62 bilhões, quase o
triplo com a aposentadoria de 1 milhão de funcionários públicos federais. Esse
valor ainda supera tudo que foi gasto com aposentados no país, cerca de R$ 50
bilhões para 24 milhões de pessoas. Segundo Narloch, fazendo as contas, 1
milhão de brasileiros receberam mais do Governo do que outros 41 milhões.
Em 2013, a aposentadoria
integral para funcionários públicos acabou. Dessa forma, quem começou a
trabalhar a partir daquele ano não a receberá. Essa alta contribuição, no
entanto, continuará durante décadas, até que os novos funcionários se
aposentem.
Ainda tem o caso da
aposentadoria dos militares, que custa a mesma coisa que o Bolsa Família, mas
atende apenas 300 mil brasileiros. Os funcionários públicos e militares,
obviamente, contribuíram e merecem receber sua pensão, mas é inegável como essa
discrepância de valores gera concentração de renda. Além disso, é evidente a
presença de diversas mordomias e falcatruas, muito comum em países que possuem
Governos inchados. Não é à toa que, cada vez mais, todos nós queremos fazer
concurso público.
O
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS):
O FGTS todo mês pega
parte do seu salário e só te devolve se você ficar doente ou for demitido. Para
piorar, ele devolve com juros à metade da inflação. Segundo dados de Leandro
Narloch no mesmo livro, se investíssemos R$ 1000 no FGTS em 1999, teríamos R$ 1340,47
em 2014. O problema é que, com a inflação, R$ 1000 naquela época equivaleriam a
R$ 2586,44 em 2014. Ou seja, em nome de uma suposta ajuda, o fundo de garantia
te fez perder dinheiro.
O Instituto Fundo Devido
ao Trabalhador calculou que, só em 2014, perdemos R$ 35 bilhões. Tal fato se dá
pela diferença entre a correção que segue a inflação e a correção realizada
pelo Governo. Repare que o valor é maior que o gasto no Bolsa Família. A
situação piora se calcularmos a longo prazo; o mesmo Instituto mostrou que,
desde 1999 até 2014, já perdemos R$ 254 bilhões por causa do FGTS.
Em 2015, o Congresso
aprovou um reajuste maior para novos depósitos que fossem feitos. No entanto,
os reajustes seguirão a poupança, que muitas vezes rende menos que a inflação.
Talvez se argumente que o
FGTS é pago pelo empregador, não pelo funcionário. Em teoria, isso é verdade,
mas não na prática. O fundo de garantia deixa os salários mais caros. Com isso,
se contrata menos, ou seja, há menos oferta de trabalho. Quando a oferta de
trabalho cai, as pessoas precisam aceitar salários menores. Afinal, tem muita
gente procurando emprego para pouca vaga. Um exemplo simples do encarecimento
do salário pode ilustrar o caso:
Imagine que um patrão
pague R$ 2000 a um empregado. Sendo que R$ 200 vão para o FGTS. No final das
contas:
- O patrão gastou R$ 2000
e o funcionário recebeu R$ 1800.
Sem o FGTS, se o mesmo
patrão pagasse R$ 1900 para o seu empregado:
- O patrão gastaria R$ 1900
reais e o funcionário ganharia R$ 1900.
Ou seja, o exemplo mostra
como o FGTS faz tanto o empregador quanto o funcionário serem prejudicados. Sem
o fundo de garantia, o patrão gastaria menos e o trabalhador ganharia mais. Se
o fundo não fosse obrigatório, será que você escolheria pagá-lo?
O Verdadeiro Problema:
O Bolsa Família tem um
outro segredo para o sucesso: a sua praticidade. Ao invés de se criar uma
máquina burocrática para dar leite ou comida de graça para as famílias pobres,
ele deu logo o cartão para consumo. Isso quer dizer que, ao invés de ficar tentando
presumir as necessidades de cada pessoa, ele deixou elas mesmas usarem aquele instrumento como bem entenderem. Além disso, ao se reduzir a
burocracia, se reduziu os gastos com a máquina pública e as chances da
corrupção se proliferar.
Tentei mostrar neste
texto como o custo do Bolsa Família é muito menor do que se aparenta. Os R$ 26
bilhões para beneficiar 50 milhões de pessoas é um custo muito aceitável. Gastamos muito mais que isso para
beneficiar muito menos pessoas. Nossa crise econômica não tem a menor
relação com esse programa social, e sim com diversas políticas absurdas do
Governo.
No Brasil, 25% do
dinheiro público é oriundo de impostos progressivos, aqueles que são taxados
sobre a renda e que deveriam atingir os mais ricos. Já os impostos sobre o
consumo, também chamados de regressivos, correspondem a 41%. As taxas sobre o
consumo afetam muito mais os pobres e, para explicar tal motivo, veja este
exemplo:
Suponhamos que 25% do
preço das coisas no supermercado sejam por causa dos impostos. Uma pessoa que
ganha R$ 1000 por mês e gasta R$ 200 no mercado, pagou R$ 50 em tributos, o que
corresponde a 5% do seu salário. Já alguém que ganha R$10 mil, e gosta de um
certo luxo, gasta R$600, pagando R$150 em tributos. Mesmo gastando o triplo do
outro, apenas 1,5% do salário foi gasto com impostos.
Esse exemplo mostra que,
proporcionalmente, as pessoas de baixa renda gastam muito mais com impostos do
que as de alta renda. Por isso, impostos regressivos não deveriam ser tão abusivos
como são no Brasil. Eles acabam tirando o poder de compra da população. Para
piorar, ainda deixamos de focar nos impostos progressivos, que taxam quem
realmente tem renda alta. Da maneira que
o sistema funciona atualmente, ele é diretamente responsável por aumentar a
desigualdade e a concentração de renda.
Portanto, vimos vários
exemplos de como gastamos múltiplas vezes mais com programas e estruturas que
não trazem nem metade do benefício que o Bolsa Família traz. Eles são o
verdadeiro problema e eles que devem ser cortados e reduzidos. O Governo joga migalhas para os necessitados
e se vangloria como o herói deles. Enquanto, por trás, os empobrece sem que
percebam. As migalhas não são a solução, muito menos o problema.
Leandro Narloch, em seu
livro “Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira”, define muito bem o
papel do Estado:
“Imagine uma pessoa que quebra as suas pernas
e logo depois dá a você um par de muletas, dizendo “veja, se não fosse por mim,
você não seria capaz de andar”. É mais ou menos assim a ação do Estado
brasileiro na pobreza e na desigualdade. Ele concede privilégios a grande
empresários, mantém aposentadorias milionárias, torna os produtos do
supermercado mais caros para os pobres e obriga todo trabalhador a investir
numa conta que reajusta menos que a inflação. Depois, como se nada tivesse acontecido,
se diz muito preocupado com os pobres, e anuncia um programa de transferência
de renda para reduzir a miséria e a desigualdade que ele próprio criou”.
Leonardo Teixeira - 15/04/2016
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Referências:
Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira, Leandro Narloch, Editora LeYa. Cap 82, O Bolsa Família ao contrário.
Imagem da capa por Felipe Coutinho: artesdesigner.wordpress.com
Imagem da capa por Felipe Coutinho: artesdesigner.wordpress.com
quinta-feira, 7 de abril de 2016
A Tristeza do Homofóbico
A palavra fobia vem do grego φόβος, que significa medo, e o que seria a homofobia além do temor a afeição ao mesmo sexo? Não há outra explicação possível para esse ódio irracional. Enquanto a ciência tem cada vez mais indícios de que a homossexualidade está longe de ser uma escolha, e o mundo cada vez mais aceita a união do mesmo gênero, algumas pessoas insistem em ficar presas no tempo, relutam a admitir o avanço social. Para a ignorância há apenas um remédio, informação, então é isso o que faremos aqui.
A escolha de ser gay:
Estudos vêm apontando
que a orientação sexual está na genética, nos Estados Unidos, certas vezes, já se
conseguiu prever se alguém seria gay analisando padrões genéticos dos
participantes. Obviamente esses estudos não são definitivos, ainda há muito
para se descobrir sobre o genoma humano. Porém, fica cada vez mais claro que a
orientação sexual está longe de ser uma escolha. Afinal, se fosse uma opção,
porque tantos escolheriam ser discriminados?
Sérgio Viula era pastor e líder da MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia), que visava “curar gays”. Em 2002, após 14 anos casado e com 2 filhos frutos dessa relação, assumiu ser gay e ateu.
John Smid, após 18 anos de militância contra os gays, resolveu se assumir e pedir desculpas por ter prejudicado tantas pessoas em situação delicada. “Eu tinha fé de que algo iria acontecer (virar heterossexual), mas isso nunca aconteceu. Agora, na minha idade, já não tenho muitos anos restantes, não posso viver mais assim pelo resto da minha vida. Então, eu pensei que não, eu não estou disposto a continuar empurrando algo que não vai ocorrer”, admitiu Smid. Em 2015, John finalmente resolveu buscar a felicidade e se casou com o namorado Larry Queen.
Esses dois casos entre inúmeros outros ilustram como muitas vezes o ódio é muito mais uma tentativa de reprimir a si mesmo, que paradoxalmente acaba se tornando em raiva contra os gays. Exemplo desse paradoxo é o Brasil, país que é o maior consumidor de pornografia transexual do mundo, e ao mesmo tempo o que mais mata travestis. Obviamente, não estamos defendendo que todo homofóbico é um homossexual “no armário”, mas que essa raiva é irracional e triste é inegável.
A reprodução e a adoção:
Sempre escutamos a velha frase: “dois homens ou duas mulheres não fazem filho”. Por acaso um casal deveria estar proibido de se amar e de casar por não poder ter filhos? Então um homem ou mulher estéril devem ser proibidos de casar? E quanto a parceiros idosos? E se um casal que simplesmente não quer ter filhos? Todos eles devem ser proibidos de casar?
Vivemos em um mundo com 7 bilhões de pessoas, e continuamos crescendo rapidamente, o planeta não consegue fornecer recursos para todos nós e agradece se dermos uma freada. Além disso, acusações como “os gays vão dominar o mundo” fazem ainda menos sentido. O mundo não está mais gay hoje do que estava no passado, ninguém vira gay pela criação que teve ou pelo ambiente em que vive. Como já dito anteriormente, a orientação sexual não é uma escolha, a única diferença é que as pessoas agora estão mais livres para amarem e serem elas mesmas.
Nosso país possui dezenas de milhares de crianças em orfanatos esperando para serem adotadas. Alguém realmente pode achar que viver em um orfanato é melhor do que viver com um casal gay dedicado e amoroso? A adoção de órfãos por casais homo afetivos não apenas deveria ser um direito como também é a solução para um problema social grave. Os que são contra podem defender que os adotados poderão sofrer bullying entre outras discriminações, mas a grande verdade é que as pessoas que fazem esse tipo de afirmação são as principais causadoras disso. O mundo está mudando e principalmente os jovens aceitam as diversidades cada vez mais, logo, viver num orfanato não chega nem perto de ser como viver com país gays apaixonados.
A escolha de ser gay:
De um lado você pode ser parte da chamada “maioria”,
ser aceito por todos e não sofrer preconceito, do outro lado, você é
discriminado, proibido de amar e demonstrar afeição ao seu parceiro. Quem em sã
consciência iria escolher o caminho mais difícil? A resposta é simples, nunca
houve uma escolha.
A felicidade e o sucesso de quem amamos é muito mais
importante que sua sexualidade.
Homossexual
é contra a natureza:
Desde quando seguimos estritamente o que é natural?
Comemos enlatados, tomamos remédios e dirigimos carros. Queremos mesmo viver em
estado de natureza? Como se esse argumento não bastasse, a homossexualidade é
extremamente comum no mundo animal.
Aves, insetos, mamíferos, todos eles apresentam
comportamento homossexual. Golfinhos, leões, pinguins, libélulas, alguns
macacos, e muitos outros; todos eles já tiveram relações com o mesmo gênero.
Ainda há o caso do carneiro doméstico, que muitas vezes adota um parceiro do
mesmo sexo para o resto da vida.
A
religião:
Vamos mesmo seguir cegamente coisas escritas milhares
de anos atrás? O mundo mudou, e a concepção de moralidade também. Não podemos
usar a bíblia como argumento, esse mesmo livro considera a escravidão um estado
natural. Isso não se dá por culpa de quem a escreveu, pois, naquela época tal
ação era aceita. Não estou dizendo que você deve jogar sua bíblia fora, mas ter
o bom senso de interpretá-la para os tempos atuais. Platão e Aristóteles, dois
filósofos importantíssimos para a história da humanidade, acreditavam que as
mulheres eram inferiores. Nem por isso estamos usando seus escritos para
defender algo que é tão absurdo no século XXI. Portanto, da mesma forma não
usamos o livro cristão para defender a escravidão, nem escritos gregos para
defender a inferioridade feminina, é hora de mudarmos nossas visões acerca da
questão sexual também.
Além do caso da bíblia, mais importante ainda é a
mensagem que Jesus passou; o amor incondicional ao próximo. Se realmente
seguíssemos a frase “somos todos irmãos” e amássemos o outro, em vez de amar
apenas aqueles que se encaixam com as nossas concepções, certamente a sociedade
seria diferente. Nem entrarei nos casos como o do Cardeal O’Brien, um dos
muitos membros da igreja denunciados por “comportamentos homossexuais” ou
“inapropriados”.
Desmond Tutu, arcebispo da Igreja Anglicana, laureado
com o Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela sua luta contra o Apartheid já afirmou:
“Se Deus é homofóbico como dizem, eu não veneraria a Ele”.
Em algum momento esquecemos o que Jesus tentou nos
falar.
A
tristeza de um homofóbico:
Sejamos francos, que diferença faz para você se o
seu amigo dorme com outro homem? Só uma pessoa tão infeliz e rancorosa para se
incomodar com a felicidade dos outros. Um homofóbico é mais digno de pena do
que de raiva. A sua ignorância e tristeza é tanta que os outros ao redor não
podem ser felizes. Essas pessoas que precisam de ajuda, não um homossexual.
Aqueles
que mudaram de time:
Talvez você não saiba, mas muitos militantes anti-gay já saíram do armário e assumiram a sua “fobia”.Sérgio Viula era pastor e líder da MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia), que visava “curar gays”. Em 2002, após 14 anos casado e com 2 filhos frutos dessa relação, assumiu ser gay e ateu.
John Smid, após 18 anos de militância contra os gays, resolveu se assumir e pedir desculpas por ter prejudicado tantas pessoas em situação delicada. “Eu tinha fé de que algo iria acontecer (virar heterossexual), mas isso nunca aconteceu. Agora, na minha idade, já não tenho muitos anos restantes, não posso viver mais assim pelo resto da minha vida. Então, eu pensei que não, eu não estou disposto a continuar empurrando algo que não vai ocorrer”, admitiu Smid. Em 2015, John finalmente resolveu buscar a felicidade e se casou com o namorado Larry Queen.
Esses dois casos entre inúmeros outros ilustram como muitas vezes o ódio é muito mais uma tentativa de reprimir a si mesmo, que paradoxalmente acaba se tornando em raiva contra os gays. Exemplo desse paradoxo é o Brasil, país que é o maior consumidor de pornografia transexual do mundo, e ao mesmo tempo o que mais mata travestis. Obviamente, não estamos defendendo que todo homofóbico é um homossexual “no armário”, mas que essa raiva é irracional e triste é inegável.
A reprodução e a adoção:
Sempre escutamos a velha frase: “dois homens ou duas mulheres não fazem filho”. Por acaso um casal deveria estar proibido de se amar e de casar por não poder ter filhos? Então um homem ou mulher estéril devem ser proibidos de casar? E quanto a parceiros idosos? E se um casal que simplesmente não quer ter filhos? Todos eles devem ser proibidos de casar?
Vivemos em um mundo com 7 bilhões de pessoas, e continuamos crescendo rapidamente, o planeta não consegue fornecer recursos para todos nós e agradece se dermos uma freada. Além disso, acusações como “os gays vão dominar o mundo” fazem ainda menos sentido. O mundo não está mais gay hoje do que estava no passado, ninguém vira gay pela criação que teve ou pelo ambiente em que vive. Como já dito anteriormente, a orientação sexual não é uma escolha, a única diferença é que as pessoas agora estão mais livres para amarem e serem elas mesmas.
Nosso país possui dezenas de milhares de crianças em orfanatos esperando para serem adotadas. Alguém realmente pode achar que viver em um orfanato é melhor do que viver com um casal gay dedicado e amoroso? A adoção de órfãos por casais homo afetivos não apenas deveria ser um direito como também é a solução para um problema social grave. Os que são contra podem defender que os adotados poderão sofrer bullying entre outras discriminações, mas a grande verdade é que as pessoas que fazem esse tipo de afirmação são as principais causadoras disso. O mundo está mudando e principalmente os jovens aceitam as diversidades cada vez mais, logo, viver num orfanato não chega nem perto de ser como viver com país gays apaixonados.
É interessante como nossa moralidade é seletiva, na
televisão assistimos traições, assassinatos, nudez e brigas, mas quando se
exibe amor homo afetivo é motivo de censura e dura repressão.
Um novo mundo:
Essa separação entre homem e mulher, azul e rosa, cueca e calcinha, está cada vez mais ultrapassada. Lojas de roupas estão começando a lançar grifes unissex. Recentemente a Louis Vitton teve Jaden Smith, o filho de Will Smith, como garoto propaganda de uma coleção feminina da marca. Deveríamos poder nos vestir como quisermos, amar quem quisermos, vivermos da maneira que nos faça bem e feliz. O amor não tem gênero, não tem órgão sexual definido, e quem não consegue aceitar isso, não apenas vai ficar para trás como também é digno de pena por não conseguir conviver com a felicidade alheia. Afinal, o mundo seria tão chato se todos fôssemos iguais.
Um novo mundo:
Essa separação entre homem e mulher, azul e rosa, cueca e calcinha, está cada vez mais ultrapassada. Lojas de roupas estão começando a lançar grifes unissex. Recentemente a Louis Vitton teve Jaden Smith, o filho de Will Smith, como garoto propaganda de uma coleção feminina da marca. Deveríamos poder nos vestir como quisermos, amar quem quisermos, vivermos da maneira que nos faça bem e feliz. O amor não tem gênero, não tem órgão sexual definido, e quem não consegue aceitar isso, não apenas vai ficar para trás como também é digno de pena por não conseguir conviver com a felicidade alheia. Afinal, o mundo seria tão chato se todos fôssemos iguais.
Leonardo Teixeira - 07/04/2016
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Referências:
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Brasil e Grécia: Semelhanças de uma Crise
O Brasil vive uma crise econômica, enquanto a Grécia
vive um colapso econômico, a situação dos dois países é muito diferente, no
entanto, ambos possuem claras semelhanças, desde políticas fiscais
irresponsáveis, até dificuldades em cortar gastos. O principal motivo disso não
é uma afinidade entre o brasileiro e o grego, e sim porque as recessões
econômicas em geral têm diversas similaridades, mesmo que em diferentes
proporções. Veremos mais para frente como crises não possuem nenhum mistério, muito
pelo contrário, geralmente se anunciam muito antes de acontecer. Porém, antes
disso, vamos fazer uma rápida análise do caso grego:
A Grécia não produz um superávit primário desde
1971, há décadas o país já vem se endividando. Ao contrário do que muitos
pensam, essa dívida já vinha crescendo antes mesmo dos gregos aderirem a zona
do euro. Ao entrar para União Europeia, no primeiro momento, eles se
beneficiaram de maior acesso ao crédito, fazendo ainda mais empréstimos, no
entanto, uma hora a conta teria de vir. A gastança, muito acima do que a
economia suportava, agora castiga a nação.
Os gastos públicos chegaram a 60% do PIB e a máquina
pública é uma das mais inchadas do mundo. Antes da crise de 2008, 10% da população,
o que correspondia a 20% da força de trabalho, eram funcionários públicos. O
Estado foi de regulador à personagem central, tanto da economia, quanto da vida
das pessoas. Com tanta gente trabalhando para o Governo, casos bizarros como 40
motoristas para um carro, se tornaram corriqueiros. Para piorar, a excessiva
quantidade estava longe de se tornar qualidade, a educação pública, super
inchada também, tem um dos piores resultados da Europa.
O salário de um servido público na Grécia, é em
média 50% maior do que um servidor do setor privado, além do primeiro receber
diversos bônus e mordomias. No Brasil, estamos nesse caminho, cada vez mais
pessoas abdicam do setor privado para concorrer à vagas públicas. Muitos jovens
recém-formados sequer procuram trabalho em empresas privadas, já vão direto
concursar, em busca de estabilidade, bons salários e diversos benefícios. O
resultado disso é uma máquina pública brasileira obesa e improdutiva, assim
como a grega.
![]() |
| Pessoas estudando para concursos públicos, muitas deixaram o emprego para se dedicar exclusivamente aos estudos. Matéria exibida no Bom Dia Mato Grosso da Rede Globo: http://g1.globo.com/mato-grosso/bom-dia-mt/videos/v/concursos-publicos-atraem-candidatos-que-buscam-bons-salarios-e-estabilidade/4747859/ |
O grande problema nessa questão é que, em setores em
que o Estado se mete, a iniciativa privada tende a morrer. É muito mais
vantajoso trabalhar para o Governo, pois, a demissão é praticamente impossível, além de também não haver uma grande projeção para a pessoa ser promovida e crescer dentro
de sua função. Logo, não há incentivo para ser produtivo, algo que é essencial
não apenas para empresas privadas, mas também para o crescimento da economia e
do país como um todo. Não é nem necessário falar dos tipos de serviços públicos
que temos à nossa disposição, órgãos como o DETRAN, estão sempre cheios de
funcionários motivados a fazer um trabalho cada vez melhor para a população.
A previdência social, bomba relógio aqui, já estorou
lá. São muitos aposentados, que certas vezes pararam de trabalhar muito cedo,
para pouca força de trabalho. Nosso povo ainda é bem mais jovem que o europeu,
mesmo assim, já temos um grande problema econômico nessa questão. Se reformas
não forem feitas, no futuro, quando atingirmos a mesma pirâmide etária que a
deles, teremos um déficit enorme, um buraco muito similar ao da Grécia.
Outros fatores nos assemelham aos gregos. Obras
públicas, em ambos os países, são uma verdadeira festa de lobismo e desvios.
![]() |
| TCE-RJ em 2014 apontava superfaturamento de pelo menos R$ 67 milhões. (Cezar Loureiro/14-05-2013 / Agência O Globo) Matéria OGlobo: http://oglobo.globo.com/esportes/tce-rj-aponta-superfaturamento-nas-obras-do-maracana-12208074 |
O Maracanã, entre várias outras obras, teve escândalos
de superfaturamento, custou mais de 1,2 bilhões de reais, seria mais barato
construir um estádio do zero do que reformá-lo! Na Grécia, a olimpíada de Atenas
tem valores incertos pelo tamanho do custo que teve, pelo menos 12 bilhões de
dólares foram gastos. Agora, diversas estruturas estão abandonadas.
![]() |
| Piscina na Vila Olímpica de Atenas em agosto de 2014. Estádios em Brasília e Manaus, onde ocorrem poucos eventos esportivos podem acabar assim. (Agência Getty Images) Matéria no Globo Esporte: http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2014/08/dez-anos-depois-instalacoes-dos-jogos-de-atenas-estao-abandonadas.html |
Historicamente eventos como copa do mundo e olimpíadas
não dão lucro, o turismo não é suficiente para recuperar o que foi gasto, no
entanto, a infraestrutura erguida deixa uma herança para a população, como
houve em Londres, porém em países mais vulneráveis a corrupção, o único legado
é o rombo nas contas e monumentos caindo aos pedaços.
A Grécia também negou a crise. Por muito tempo os
governantes esconderam o gigantesco déficit das contas, e obviamente se
recusaram a reconhecer o problema. Quanto mais se demora para combater uma
recessão, mais ela se espalha e se agrava, assim como uma doença não tratada.
No Brasil, o máximo que conseguimos em 2015 foi um: “Não tenho como garantir
que a situação em 2016 será maravilhosa”, dito por Dilma Roussef.
![]() |
| "Sempre que especularam, não se deram bem. Acho muito perigoso especular em situações eleitorais", afirmou Dilma em julho de 2014. Naquela época os problemas já eram visíveis, mas preferiram negá-los ao invés de enfrentá-los. (Pedro Ladeira/Folhapress) Matéria da Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/07/1492376-dilma-nega-crise-economica-e-garante-inflacao-dentro-da-meta-em-2014.shtml |
Da mesma forma que crises não são tão misteriosas,
as soluções também não. Obviamente, a economia não é algo exato, muito longe
disso, não se pode ter 100% de precisão, fatores inesperados ocorrem, coisas
como o valor das commodities e do barril de petróleo não são fáceis de prever,
basta ver a quantidade de previsões erradas na mídia. No entanto, certos
métodos para melhorar a economia, como enxugar gastos desnecessários é algo óbvio
e essencial. Na Grécia, o salário mínimo está acima do de muitos vizinhos, que
por sinal são muito mais ricos, o salário do funcionário público grego em média
é muito maior do que o do alemão, que trabalha em um país economicamente muito
mais sólido. Esses gastos excessivos e insustentáveis, aliado a uma dívida que
já está acerca de 180% do PIB, fruto de mais e mais empréstimos irresponsáveis,
cobraram o seu preço. Assim como no Brasil, a festa acabou, a bonança já não
pode ser mais sustentada.
Nem tudo é culpa dos gregos, eles tomaram imposições
austeras duríssimas que sacrificam muito a população, e são difíceis de serem
realmente aplicadas. Tais imposições poderiam ter sido evitadas, não fossem
décadas de um estilo de vida fora da realidade da Grécia. Além disso, como o economista
Paulo Nogueira Batista Jr já escreveu, a zona do Euro lembra um pouco o padrão
ouro antigo, do século XIX e XX, onde se perdia autonomia na política
monetária, portanto, os gregos têm de reagir a uma crise sem poder mexer no
câmbio, o que certamente torna a situação mais difícil.
No entanto, há solução, a Grécia possui bilhões de dólares em ativos públicos, além disso, milhões de dólares podem ser poupados fazendo uma arrumação básica no orçamento público. Com um governo mais enxuto, funcional, menos corrupto, as contas vão melhorar, e quando começar a reduzir a dívida, a confiança dos credores e do povo em geral será restabelecida, o que até permitirá renegociar os empréstimos em acordos melhores. Não existem vilões nessa história, a Alemanha não quer que a Grécia quebre, nem os credores, afinal, eles querem ser pagos, mas mudanças drásticas tem de ser feita.
Os dois países vivem crise política também, independente se a crise econômica gerou a política ou vice-versa, é fato que a alta do desemprego e a recessão desestabilizaram os governos. Basta ver como o mensalão, outro caso de corrupção, não teve tantas implicações, afinal, o Brasil vivia boa fase econômica naquele momento, o que aliviou o escândalo. Se vivêssemos um outro crescimento agora, provavelmente a lava-jato não teria toda essa atenção e pressão por resultados. Recobrar a confiança da população é essencial, uma economia não cresce se as pessoas não acreditam que ela pode crescer, portanto, punir os criminosos certamente será de grande ajuda. Com a confiança geral mais elevada, mais estabilidade ao governo será dada, ao passo que mais estabilidade política também facilita a economia se reerguer, logo, ambas estão ligadas, é uma via de mão dupla.
O Brasil possui economia muito mais sólida do que a grega, além disso, estamos longe de ter uma crise e uma dívida como a deles. Não vivemos décadas de gastos irresponsáveis, e sim apenas alguns anos. Portanto, se a Grécia que está muito pior tem solução, para nós é muito mais fácil sair desse buraco, basta assumir o problema e enfrentá-lo, fazendo isso, em 2017 já estaremos em rumos melhores.
Leonardo Teixeira - 01/04/2016
No entanto, há solução, a Grécia possui bilhões de dólares em ativos públicos, além disso, milhões de dólares podem ser poupados fazendo uma arrumação básica no orçamento público. Com um governo mais enxuto, funcional, menos corrupto, as contas vão melhorar, e quando começar a reduzir a dívida, a confiança dos credores e do povo em geral será restabelecida, o que até permitirá renegociar os empréstimos em acordos melhores. Não existem vilões nessa história, a Alemanha não quer que a Grécia quebre, nem os credores, afinal, eles querem ser pagos, mas mudanças drásticas tem de ser feita.
Os dois países vivem crise política também, independente se a crise econômica gerou a política ou vice-versa, é fato que a alta do desemprego e a recessão desestabilizaram os governos. Basta ver como o mensalão, outro caso de corrupção, não teve tantas implicações, afinal, o Brasil vivia boa fase econômica naquele momento, o que aliviou o escândalo. Se vivêssemos um outro crescimento agora, provavelmente a lava-jato não teria toda essa atenção e pressão por resultados. Recobrar a confiança da população é essencial, uma economia não cresce se as pessoas não acreditam que ela pode crescer, portanto, punir os criminosos certamente será de grande ajuda. Com a confiança geral mais elevada, mais estabilidade ao governo será dada, ao passo que mais estabilidade política também facilita a economia se reerguer, logo, ambas estão ligadas, é uma via de mão dupla.
O Brasil possui economia muito mais sólida do que a grega, além disso, estamos longe de ter uma crise e uma dívida como a deles. Não vivemos décadas de gastos irresponsáveis, e sim apenas alguns anos. Portanto, se a Grécia que está muito pior tem solução, para nós é muito mais fácil sair desse buraco, basta assumir o problema e enfrentá-lo, fazendo isso, em 2017 já estaremos em rumos melhores.
Leonardo Teixeira - 01/04/2016
sexta-feira, 18 de março de 2016
A crescente intolerância no Brasil
No dia 13/03/2016, por um dos maiores protestos de nossa história, as redes sociais tiveram uma avalanche de comentários, tanto apoiando, quanto criticando o ocorrido. Como de praxe, o facebook virou um grande “show” de comentários precipitados, passionais e irracionais. No entanto, esse “show” não tem ocorrido apenas com os protestos, mas sim há muito tempo. O país vive uma polarização radical entre a população, e qualquer posição radical é perniciosa. Nem entrarei nos casos extremos que terminaram em agressão; embate físico por divergência política é algo tão primitivo que nenhum dos envolvidos pode estar certo. O que vemos nos últimos tempos, é o povo brasileiro ser resumido em pobres contra ricos, o bem contra o mal. Esse maniqueísmo é infantil e irreal, qualquer nação tem diversas camadas sociais, nenhuma delas homogênea.
Muitos repudiaram os protestos por ser um movimento da “elite”, outros porque figuras como Bolsonaro e Malafaia estariam presentes. Em relação a primeira crítica, tentou-se resumir todo o movimento nas ruas em um embate dos ricos contra Dilma e o PT. Antes de tudo, nas últimas eleições presidencias, Aécio Neves teve 48% dos votos no segundo turno, atualmente 90% da população reprova o governo de Dilma, logo, essa dicotomia não faz o menor sentido. Outro problema é querer deslegitimar os protestos pela aparição de figuras políticas, que querem sair como heróis nesse período. Geraldo Alckmin e Aécio Neves foram as ruas de São Paulo no dia 13 e não conseguiram discursar, tiveram de sair sob vaias e gritos de oportunistas e ladrões. Isso aconteceu em São Paulo, onde a renda é muito maior que no resto do país, mostrando que o movimento das ruas não teve nada a ver com “elite”, PSDB, ou qualquer outro partido, na verdade os próprios tucanos vêm perdendo popularidade em pesquisas eleitorais.
O “endeusamento” do Juiz Sérgio Moro e o apoio incondicional a órgãos públicos que tem reputação bem duvidosa, também está completamente errado. Eles estão fazendo apenas o trabalho deles, a questão é que como no Brasil as instituições estatais geralmente são tão ineficientes, que quando elas fazem o que deveriam fazer, são aclamadas pelo povo.
Uma crítica feita sobre os protestos foi a de “indignação seletiva”, em meios há tantos escândalos políticos, a mídia e as pessoas só focam em Lula e Dilma. Tal afirmação é verdadeira, não se viu um “fora Cunha”, não se viu um “Aécio na cadeia”, pois eles estão sendo indiciados por corrupção também. No entanto, esse não é um problema exclusivo do Brasil, quando atentados terroristas ocorreram contra o jornal Charlie Hebdo e contra a população de Paris, todos “fomos Charlie”, todos “fomos Paris”, mas quando ouve o massacre de 147 pessoas em uma universidade em Garissa, ninguém “foi Quênia”. Ninguém “foi Ancara” em nenhum momento entre os diversos atentados ocorridos lá. Ninguém colocou a bandeira desses países em seu perfil no facebook. Essa “indignação seletiva” existe em todos os lugares, e no protesto brasileiro é tão ruim e excludente como em qualquer lugar.
É inegável o sensacionalismo que a impressa vem fazendo, já entrevistaram até o chaveiro que abriu o tríplex no Guarujá para a Polícia Federal, perguntaram para ele quanto custou o serviço, para quem tem curiosidade nesse dado inútil, foi cobrado R$ 100. Tudo é motivo de notícias, se tira leite de pedra para vender manchetes. Além disso, houve um completo esquecimento de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Aécio Neves na mídia, toda a corrupção do país é culpa do PT.
Esse embate Esquerda x Direita não faz o menor sentido. São conceitos ultrapassados e completamente distorcidos ao longo do tempo. Ambos os lados são passionais e usam de qualquer artefato para defender sua visão. O caso da babá, Maria Angélica Lima, fotografada nos protestos é um grande exemplo disso. Criou-se uma grande arruaça em volta de uma pessoa que não queria ser exposta e estava lá fazendo o seu trabalho.
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| Foto da babá Maria Angélica Lima que viralizou na internet. (Foto: João Valadares/CB/Da Press) |
Chamaram a babá de tudo, desde escrava oprimida pelo patrão, até símbolo da elitização do movimento de 13 de março. Até que finalmente pararam de especular e deram uma chance dela falar. Se descobriu que ela apoiava os movimentos nas ruas, e que ela votou em Aécio Neves nos dois turnos das últimas eleições. Além disso, Maria Angélica disse gostar de seu trabalho, pois durante a semana ela tem tempo livre para cuidar dos filhos. Citar o Aécio, não chega nem perto de defendê-lo, quem sabe ele não divida uma cela com Lula na prisão, apenas citei o voto de Maria para mostrar como essa separação entre tucanos e ricos contra Dilma/PT e pobres não existe.
De fato, haviam pessoas ignorantes nas ruas no domingo passado, o PT não é Messias Salvador, muito menos o PSDB, sem falar do camaleão PMDB. Mas atos, como as vaias contra políticos oportunistas, além de diversos cartazes repudiando, tanto, partidos da oposição, quanto da situação, mostraram a neutralidade da maioria dos protestantes. Isso dá esperança, há um desejo crescente de reforma na política e no modo de pensar desse país. Ainda pensamos como crianças, achamos que o mundo é um filme da Disney, se resume em princesa contra bruxa, bonzinho contra malvado, rico contra pobre, esquerda contra direita, um bando de bobagem passional e totalmente fora da realidade.
A nomeação de Lula para chefe da Casa Civil, independente de assumir o cargo efetivamente ou não, apenas deve aumentar essa polarização e a efervescência que o país está vivendo, esperamos que mudanças benéficas venham para o Brasil após isso tudo, que as pessoas se conscientizem mais e percebam a responsabilidade do voto, para que o gigante não acorde de novo como fez em 2013, e volte a dormir deixando tudo como estava.
Leonardo Teixeira - 18/03/2016
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Matéria sobre a hostilização de Aécio e Alckmin: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/03/alckmin-e-aecio-sao-hostilizados-na-chegada-manifestacao-na-paulista.html
Entrevista com a babá Maria Angélica Lima: http://extra.globo.com/noticias/rio/o-pobre-que-sofre-diz-angelica-baba-de-foto-polemica-em-manifestacao-rv1-1-18876978.html
terça-feira, maio 31, 2016
Unknown























