segunda-feira, 15 de junho de 2015

Porque eu não sofro mais por futebol


     Não vale a pena. O futebol é uma paixão intensa que muitos brasileiros têm, o problema é que essa paixão não é recíproca. Em meio a toda a crise da FIFA com CBF, com cartolas, com Conmebol, e muito mais gente, me pareceu oportuno escrever sobre esse assunto. Não me ocuparei aqui de falar sobre as recentes fraudes descobertas, até porque elas não foram surpresa nenhuma, todos nós esperávamos por isso, a diferença é que agora finalmente essa corrupção foi exposta.

     Seria suicídio deixar um título de um campeonato ser decidido com um lance ao acaso com tanto dinheiro envolvido, isso é simplesmente inviável. O futebol movimenta dinheiro demais para ficar à mercê da sorte. Não quero dizer que todos os torneios foram decididos por cartolas, mas não há duvidas que diversos foram.

     Qualquer coisa que move as pessoas através da paixão sempre atrai interessados em enriquecer a partir disso, e logo esse instrumento de paixão vira um negócio, mesmo que os ‘apaixonados’ não percebam. No futebol aconteceu exatamente isso, desde décadas atrás essa área vem se enriquecendo cada vez mais, se apoiando na paixão incondicional dos torcedores, pois sem torcida não há futebol, ou seja, não há negócio.

     A idéia desse texto não é fazer as pessoas abandonarem o futebol, eu mesmo continuo apaixonado, mas jamais como no passado. Quando eu era mais novo, até uns 15 anos, costumava ser fanático, chorava, sofria, perdia meu dia, às vezes, pelo meu clube amado. Quando cresci e amadureci, percebi que eu amava o futebol, mas o futebol não me amava. Passei a entender que futebol é um negócio, e como todo negócio, o dinheiro fala mais alto. O maior problema do torcedor é que ele ainda enxerga o nosso principal esporte com romantismo, ele ainda acha que jogadores são heróis.

     Nossos valores estão trocados, nossos heróis deveriam ser Gandhi e Einstein, não Neymar ou Ronaldo. O futebol é uma paixão, um hobby, não nossa vida. E quando começarmos a tratar o futebol dessa forma, ele vai nos tratar da mesma maneira.

     Não pense que deixarei de acompanhar meu time e sofrer por ele. Minha relação com o futebol é como aquele ex-relacionamento que você teve e se decepcionou, e que você insiste em reatar sabendo que nunca será como foi, mas você reluta em abrir mão de sua paixão.

     Desde a super controversa Copa do Mundo no Brasil, o povo brasileiro tem cada vez maisficado descrente do futebol, e como não estou aqui para ficar em cima do muro, apoio muito esse movimento. Os estádios estão esvaziados e a audiência na televisão caindo. Mas isso não quer dizer que estamos deixando de gostar do nosso esporte, estamos na verdade nos afastando desse futebol que não é o nosso, é um comércio. Um jogador reserva de time grande não pode ganhar 100 mil reais por mês, os nossos queridos times estão cada vez mais endividados, pois é impossível bancar tais custos. Os times europeus, oriundos de países com economia muito mais sólida que a nossa, tem condição de arcar com esses valores, mas não nós. Como são eles que costumam liderar as direções do esporte, nós não temos condições de segurar um jogador de destaque por mais de um ano em nosso país.

     Estou aqui para refutar o futebol de elite, o futebol milionário e fajuto, que é um grande negócio, “mas paga de” emotivo. Estou aqui pra defender o verdadeiro futebol, aquele que você joga por pura paixão, com chinelo marcando gol, com aquela bola murcha, sem espectadores, sem glamour. Esse verdadeiro futebol é o que eu amo, é o que eu defendo, é o que eu jogarei até o fim de minha vida.

     Digo sim ao verdadeiro futebol moleque, o que não possui preço, esse que me inspira, esse que eu amo, e que nenhum cartola, nenhum Blatter, nenhum presidente da CBF pode destruir. Esses velhos de colarinho branco não possuem a menor idéia do que é futebol e jamais saberão, o que é uma penameu amigo, pois  futebol é incrível. E esse esporte maravilhososó pode ser visto nas praças publicas, nos campos barrentos, não na televisão.

Leonardo Teixeira 15/06/2015

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