segunda-feira, 1 de junho de 2015

A falácia dos "baderneiros" na UERJ

Imagem do artista Vini Oliveira, Prefeito da cidade do Rio e o reitor da UERJ
A favela, a UERJ e a pátria educadora

           A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foi construída onde se localizava a Favela do Esqueleto, removida em dezembro de 1964, poucos meses depois do golpe civil empresarial  militar.  
             No processo de remoção, os moradores se organizaram pra resistir e o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) prendeu o presidente da associação de moradores. Os moradores do Esqueleto, levados à força pra Vila Kennedy, ouviram a promessa de que seus filhos estudariam na universidade que seria construída no lugar da Favela. A universidade nasce da guerra aos pobres e os alunos da UERJ cumpriram um digno papel ao abraçar a luta dos pobres e levá-los para dentro dos muros da universidade.  
          Os alunos da UERJ se mobilizaram pra resistir junto aos moradores da Favela do metrô mangueira contra sua remoção, no dia 28/05 e foram barbaramente reprimidos pela polícia militar do governo supostamente democrático do Estado do Rio de Janeiro e pelos seguranças da universidade ao tentarem se refugiar dos ataques da polícia na mesma.  
          No dia 28/05, mais uma vez a Polícia Militar do Rio de Janeiro orquestrou um show de horrores que ficará marcado na história suja dessa corporação classista e racista. Na tentativa de expulsão dos moradores da Favela Metrô-Mangueira, a serviço da prefeitura do Rio de Janeiro num conluio entre os interesses públicos e privados de um projeto de gestão publica que privilegia os mega eventos, a PM se utilizou de bombas de gás lacrimogêneo, munição real e balas de borracha para retirar as pessoas que ali moravam, jogando-os para fora de suas próprias casas.  
             Se utilizando de mangueiras de alta pressão, os seguranças jogavam água nos estudantes que protestavam contra essa ação fascista do Estado. Recebendo os estudantes com truculência, a segurança da UERJ, que autorizada pela Reitoria (conforme entrevista em O Dia), fecha as portas da universidade. Para assegurar essa diretiva, os seguranças armados com porretes e barras de ferro, além de bater em estudantes, lançam jatos de água sobre os recém-chegados. Os estudantes reagem e as vidraças, móveis e equipamentos da entrada da UERJ se quebram neste enfrentamento. A situação chegou ao absurdo de tais "seguranças" sequestrarem um estudante e manterem-no em cárcere privado por quase duas horas sob tortura física e psicológica.
           A UERJ e seus estudantes sangraram. Duros golpes à democracia e à autonomia universitária foram dados. A UERJ das cotas, dos negros, dos favelados via a lógica repressora da polícia se reproduzir dentro de seus muros. Cada cassetete tem um pouco de chibata. Cada camburão, um pouco de navio negreiro. Dentro da Universidade pioneira em cotas, os alunos encontravam-se sitiados em uma universidade que deveria ser um amálgama das liberdades e das diferenças. 
           O reitor anuncia em nota que esses favelados nada têm a ver com a comunidade acadêmica, esquecendo que a UERJ é uma das universidades mais populares, multirraciais e plurais do Brasil atualmente e cercada por favelas. A UERJ está, ao mesmo tempo, de frente e de costas para essas comunidades uma vez que pouco do conhecimento produzido nela reflete na vida dessas pessoas que mais necessitam de amparo e proteção na nossa sociedade excludente. A lógica da cidade negócio perpetrada pelo governo do PMDB é base  
         A reitoria da UERJ, em nota, elitista e conservadora, se horroriza diante da atitude dos estudantes, acusados na prática de uma conspiração violenta para desestabilizar a universidade, para o que teriam mobilizado a população de rua no entorno da universidade. A Reitoria não consegue reconhecer nenhum mérito dos estudantes, com sua concepção encastelada e por detrás de seu inédito bunker. Anuncia que “não dialoga com bárbaros”, quando na verdade não dialoga com ninguém.   
           A UERJ que está esvaziada de debate democrático e que não reúne regularmente seus conselhos superiores. Quer reinventar dentro da UERJ o mito das classes perigosas, agora representada pelos estudantes, disseminar o medo e criminalizar os alunos. Deve existir um retorno social do investimento da universidade sustentada por impostos. A educação não pode ser refém da lógica da cidade negócio perpetrada pelo governo do PMDB. 
           Tal repressão é a resposta da reitoria às mobilizações estudantis e solidariedade aos trabalhadores, terceirizados e moradores de favelas. Ricardo Vieiralves tem sido um fiel aplicador das medidas de sucateamento e desmonte da universidade e agora escancara definitivamente seu fascismo numa clara tentativa de intimidação.
           É inadmissível famílias serem despejadas de suas casas de maneira criminosa e violenta, sobretudo enquanto ainda corre na justiça uma discussão sobre a desocupação da área. Houve relatos de uma mulher que saiu para buscar a filha na escola e quando voltou sua casa estava demolida, com todos os seus pertences dentro destruídos. Esta é mais uma prova da falência da democracia burguesa e dos valores liberais. É a prova de que só há liberdade para o capital, para o lucro, para a exploração, para a especulação e para os ricos e poderosos, em detrimento da classe trabalhadora, que tudo produz e que não tem direito sequer a uma moradia digna.
           É impossível coexistir uma democracia com uma polícia militarizada, uma vez que a policia é uma arma da classe dominante contra a população, o braço armado estatal caracterizado pelo monopólio da violência  
           Não se pode aceitar as ações tanto da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e a sua lógica repressora que atinge a população pobre com toda a força, quanto a atitude da Reitoria que mandou seus seguranças atacarem alunos da UERJ. Repudiamos também a mídia hegemônica burguesa, que se coloca ao lado da polícia e criminaliza os estudantes e os moradores da Metrô-Mangueira e distorce os fatos para esconder o que realmente aconteceu. A PM é o braço armado do capital, e enquanto os moradores dormem sem ter a certeza de ao acordarem terão um teto para viver, o governador Luís Fernando “Pezão” assiste a tudo no conforto de sua residência.  
           Inserido no contexto dos grandes eventos e no aprofundamento da lógica de cidade-empresa, os (des)governos de Pezão e Eduardo Paes (PMDB) transformam os territórios marginalizados da Cidade em verdadeiros territórios de exceção, lugar onde a democracia e o Estado de Direito não existem e também onde a limpeza racial aos negros e negras é feita. Dentro desses territórios de exceção a lei não é respeitada e os interessem do capital ditam as regras.


Ontem, quinta-feira, dia 28 de Maio, o CACOS esteve presente na manifestação que ocorreu na UERJ e registramos tudo. Como resultado fizemos esta matéria com o material colhido. Entendemos que o nosso trabalho é fundamental como uma ferramenta da contra-informação, em que levamos à público o que a mídia tradicional não nos traz. Compartilhem, viralizem nosso trabalho! Amanhã lançaremos outro vídeo com entrevista que realizamos com moradores da Favela do metrô.Obrigada!
Posted by Cacos Uerj on Sexta, 29 de maio de 2015


Matheus Martinelli 1/06/2015

0 comentários :

Postar um comentário

 
| A República do Pensamento - Livre debate de política, economia, cultura, etc |