A saída da presidente já parece irreversível. Não
houve exatamente um golpe de estado, mas este processo está longe de ser
correto. Apesar de questionar o impeachment, não tenho nenhuma compaixão por
Dilma. Ela causou isso a si mesma. Fez uso de qualquer meio para ser reeleita,
quebrou o país para alcançar seu objetivo. Não pensou em como governaria
depois, muito menos no bem do Brasil. No entanto, sua saída não é um momento
para soltar fogos e fazer festa, e sim de reflexão.
Nos últimos 90 anos tivemos 25 presidentes, apenas 4
eleitos democraticamente terminaram o mandato, já excluindo Dilma. Desde a
redemocratização, elegemos 4 líderes e tiramos dois deles (Collor e Rousseff).
Sendo que FHC e Lula também responderam a processos de impeachment em seus
mandatos.
A nossa despedida é melancólica, pois, por mais que o
impeachment esteja previsto na constituição, ele nunca é desejável. Quando um
governante é corrupto ele tem de ser deposto, porém, temos que nos envergonhar
por tê-lo elegido. A lava-jato e a saída de nossa presidente mostram que
falhamos de novo. E se não refletirmos sobre o poder do voto, mais “Dilmas”,
“Cunhas” e “Collors” irão voltar. Na verdade, Collor já voltou, é Senador por Alagoas.
Os homens que tiraram Rousseff são acusados de cometer crimes
ainda piores do que ela. Obviamente, isso não a inocenta, mas mostra o quão
perverso este processo está sendo. Mais da metade dos membros da comissão do
impeachment, tanto na câmara dos deputados, quanto dos senadores, sofrem alguma
acusação criminal.
Nossa caça a corrupção não pode morrer no impeachment.
Como já se viu, o buraco é muito mais embaixo. Nós que somos responsáveis por
termos elegido tanto “petralhas”, quanto “golpistas”,
além de um congresso podre. E se pararmos de lutar agora, ficará claro como a
deposição de Dilma não foi um ato contra a corrupção, e sim um embate de poder
entre grupos políticos, onde o povo é a última preocupação.
Democracia sem voto consciente não funciona e por isso
estamos falhando a mais de um século. Logo, meu adeus para Dilma é repleto de
tristeza, não por ela, mas pela nossa frágil democracia.
Leonardo Teixeira - 31/05/2016
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Referências:
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/so-5-presidentes-eleitos-completaram-o-mandato-em-90-anos
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160329_latimes_impeachment_rm
http://www.bbc.com/portuguese/brasil/2016/05/160509_perfil_senado_impeachment_if_rm

terça-feira, maio 31, 2016
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