terça-feira, 17 de maio de 2016

A história de Gabriela: A coxinha petralha

(Primeira parte do conto, A história de João: O pagador de impostos,
Segunda parte do conto, A história de Lucas: O homem do governo)
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Quando criança, Gabriela fez catequese, odiava Darwin.

Aprendeu evolução natural na escola e passou a odiar as religiões.

Seu pai morreu na cadeia e ela descobriu que a religião podia confortá-la.

Foi reprovada na escola por um professor gay, se tornou homofóbica.

Descobriu que sua melhor amiga era lésbica e mudou seu modo de pensar.

Foi assaltado por um menino negro e virou racista.

Se apaixonou por Ricardo, um negro de origem angolana, e percebeu que racismo não fazia sentido.

Estudou política econômica e descobriu que o Estado estava longe de ser um instrumento para o bem do povo.

Virou liberal radical, contra a presença do governo em qualquer situação.

Seu chefe demitiu funcionários e congelou salários mesmo com aumento dos lucros. Descobriu que o patrão é tão perverso quanto o Estado.

Um equilíbrio entre os dois seria possível?

Gabriela era flamenguista e odiava o Vasco.

Zé Golaço, artilheiro e ídolo rubro-negro foi jogar para os vascaínos por um salário maior.

Deixou de odiar o Vasco e amar cegamente o Flamengo.

Gabi foi petista, até que a lava-jato a impediu. Gabi foi tucana, mas a mesma lava-jato também a impediu. Não foi PMDB porque ninguém é.

Descobriu que PT e PSDB são muito mais parecidos do que ela pensava.

Gabi foi de direita, esquerda, centro, norte e sul.

Até que finalmente aprendeu que os extremos não funcionam.

Também aprendeu que é errado resumir uma pessoa em uma direção, um partido ou um salgadinho.

Gabi passou a se perguntar porque brigamos tanto se todos querem um país melhor, apenas acreditam em métodos diferentes.

Em um protesto, Gabi descobriu que as pessoas estão mais preocupadas em estarem certas e impor sua visão aos outros do que qualquer outra coisa.

Ela descobriu que as pessoas só querem falar, mas não ouvir.

Após 21 anos Gabi desistiu de tentar se encaixar em lados políticos e sociais. Gabi é Gabi.

Gabriela é quem poderíamos ser e quem eu gostaria de me tornar.
-Fim da Trilogia-

Leonardo Teixeira - 17/05/2016

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