quinta-feira, 7 de abril de 2016

A Tristeza do Homofóbico

A palavra fobia vem do grego φόβος, que significa medo, e o que seria a homofobia além do temor a afeição ao mesmo sexo? Não há outra explicação possível para esse ódio irracional. Enquanto a ciência tem cada vez mais indícios de que a homossexualidade está longe de ser uma escolha, e o mundo cada vez mais aceita a união do mesmo gênero, algumas pessoas insistem em ficar presas no tempo, relutam a admitir o avanço social. Para a ignorância há apenas um remédio, informação, então é isso o que faremos aqui.


A escolha de ser gay:
De um lado você pode ser parte da chamada “maioria”, ser aceito por todos e não sofrer preconceito, do outro lado, você é discriminado, proibido de amar e demonstrar afeição ao seu parceiro. Quem em sã consciência iria escolher o caminho mais difícil? A resposta é simples, nunca houve uma escolha.

Estudos vêm apontando que a orientação sexual está na genética, nos Estados Unidos, certas vezes, já se conseguiu prever se alguém seria gay analisando padrões genéticos dos participantes. Obviamente esses estudos não são definitivos, ainda há muito para se descobrir sobre o genoma humano. Porém, fica cada vez mais claro que a orientação sexual está longe de ser uma escolha. Afinal, se fosse uma opção, porque tantos escolheriam ser discriminados?

A felicidade e o sucesso de quem amamos é muito mais importante que sua sexualidade.

Homossexual é contra a natureza:
Desde quando seguimos estritamente o que é natural? Comemos enlatados, tomamos remédios e dirigimos carros. Queremos mesmo viver em estado de natureza? Como se esse argumento não bastasse, a homossexualidade é extremamente comum no mundo animal.

Aves, insetos, mamíferos, todos eles apresentam comportamento homossexual. Golfinhos, leões, pinguins, libélulas, alguns macacos, e muitos outros; todos eles já tiveram relações com o mesmo gênero. Ainda há o caso do carneiro doméstico, que muitas vezes adota um parceiro do mesmo sexo para o resto da vida.


A religião:
Vamos mesmo seguir cegamente coisas escritas milhares de anos atrás? O mundo mudou, e a concepção de moralidade também. Não podemos usar a bíblia como argumento, esse mesmo livro considera a escravidão um estado natural. Isso não se dá por culpa de quem a escreveu, pois, naquela época tal ação era aceita. Não estou dizendo que você deve jogar sua bíblia fora, mas ter o bom senso de interpretá-la para os tempos atuais. Platão e Aristóteles, dois filósofos importantíssimos para a história da humanidade, acreditavam que as mulheres eram inferiores. Nem por isso estamos usando seus escritos para defender algo que é tão absurdo no século XXI. Portanto, da mesma forma não usamos o livro cristão para defender a escravidão, nem escritos gregos para defender a inferioridade feminina, é hora de mudarmos nossas visões acerca da questão sexual também.

Além do caso da bíblia, mais importante ainda é a mensagem que Jesus passou; o amor incondicional ao próximo. Se realmente seguíssemos a frase “somos todos irmãos” e amássemos o outro, em vez de amar apenas aqueles que se encaixam com as nossas concepções, certamente a sociedade seria diferente. Nem entrarei nos casos como o do Cardeal O’Brien, um dos muitos membros da igreja denunciados por “comportamentos homossexuais” ou “inapropriados”.

Desmond Tutu, arcebispo da Igreja Anglicana, laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela sua luta contra o Apartheid já afirmou: “Se Deus é homofóbico como dizem, eu não veneraria a Ele”.

Em algum momento esquecemos o que Jesus tentou nos falar.

A tristeza de um homofóbico:
Sejamos francos, que diferença faz para você se o seu amigo dorme com outro homem? Só uma pessoa tão infeliz e rancorosa para se incomodar com a felicidade dos outros. Um homofóbico é mais digno de pena do que de raiva. A sua ignorância e tristeza é tanta que os outros ao redor não podem ser felizes. Essas pessoas que precisam de ajuda, não um homossexual.


Aqueles que mudaram de time:
Talvez você não saiba, mas muitos militantes anti-gay já saíram do armário e assumiram a sua “fobia”.
  
Sérgio Viula era pastor e líder da MOSES (Movimento pela Sexualidade Sadia), que visava “curar gays”. Em 2002, após 14 anos casado e com 2 filhos frutos dessa relação, assumiu ser gay e ateu.

John Smid, após 18 anos de militância contra os gays, resolveu se assumir e pedir desculpas por ter prejudicado tantas pessoas em situação delicada. “Eu tinha fé de que algo iria acontecer (virar heterossexual), mas isso nunca aconteceu. Agora, na minha idade, já não tenho muitos anos restantes, não posso viver mais assim pelo resto da minha vida. Então, eu pensei que não, eu não estou disposto a continuar empurrando algo que não vai ocorrer”, admitiu Smid. Em 2015, John finalmente resolveu buscar a felicidade e se casou com o namorado Larry Queen.

Esses dois casos entre inúmeros outros ilustram como muitas vezes o ódio é muito mais uma tentativa de reprimir a si mesmo, que paradoxalmente acaba se tornando em raiva contra os gays. Exemplo desse paradoxo é o Brasil, país que é o maior consumidor de pornografia transexual do mundo, e ao mesmo tempo o que mais mata travestis. Obviamente, não estamos defendendo que todo homofóbico é um homossexual “no armário”, mas que essa raiva é irracional e triste é inegável.


A reprodução e a adoção:
Sempre escutamos a velha frase: “dois homens ou duas mulheres não fazem filho”. Por acaso um casal deveria estar proibido de se amar e de casar por não poder ter filhos? Então um homem ou mulher estéril devem ser proibidos de casar? E quanto a parceiros idosos? E se um casal que simplesmente não quer ter filhos? Todos eles devem ser proibidos de casar?

Vivemos em um mundo com 7 bilhões de pessoas, e continuamos crescendo rapidamente, o planeta não consegue fornecer recursos para todos nós e agradece se dermos uma freada. Além disso, acusações como “os gays vão dominar o mundo” fazem ainda menos sentido. O mundo não está mais gay hoje do que estava no passado, ninguém vira gay pela criação que teve ou pelo ambiente em que vive. Como já dito anteriormente, a orientação sexual não é uma escolha, a única diferença é que as pessoas agora estão mais livres para amarem e serem elas mesmas.

Nosso país possui dezenas de milhares de crianças em orfanatos esperando para serem adotadas. Alguém realmente pode achar que viver em um orfanato é melhor do que viver com um casal gay dedicado e amoroso? A adoção de órfãos por casais homo afetivos não apenas deveria ser um direito como também é a solução para um problema social grave. Os que são contra podem defender que os adotados poderão sofrer bullying entre outras discriminações, mas a grande verdade é que as pessoas que fazem esse tipo de afirmação são as principais causadoras disso. O mundo está mudando e principalmente os jovens aceitam as diversidades cada vez mais, logo, viver num orfanato não chega nem perto de ser como viver com país gays apaixonados.

É interessante como nossa moralidade é seletiva, na televisão assistimos traições, assassinatos, nudez e brigas, mas quando se exibe amor homo afetivo é motivo de censura e dura repressão.

Um novo mundo: 
Essa separação entre homem e mulher, azul e rosa, cueca e calcinha, está cada vez mais ultrapassada. Lojas de roupas estão começando a lançar grifes unissex. Recentemente a Louis Vitton teve Jaden Smith, o filho de Will Smith, como garoto propaganda de uma coleção feminina da marca. Deveríamos poder nos vestir como quisermos, amar quem quisermos, vivermos da maneira que nos faça bem e feliz. O amor não tem gênero, não tem órgão sexual definido, e quem não consegue aceitar isso, não apenas vai ficar para trás como também é digno de pena por não conseguir conviver com a felicidade alheia. Afinal, o mundo seria tão chato se todos fôssemos iguais.


Leonardo Teixeira - 07/04/2016

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Referências:


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