Quando criança estudou em escolar particular, pois a pública
era perigosa e ruim.
Cresceu e foi para faculdade, também privada.
Anos depois se formou e começou a trabalhar para uma companhia
de seguros.
Logo João descobriu que trabalhava quase 5 meses por ano
apenas para pagar tributos.
Ele não entendia porque pagava tantos impostos se não
usufruía de serviços públicos, devia ser para ajudar os pobres.
Mais tarde, João descobriu que programas nobres como o Bolsa
Família eram na verdade parte minúscula do orçamento público, se gastava muito
mais com mordomias a funcionários públicos, empreiteiras e desvios.
João descobriu que foi enganado a vida inteira, seu dinheiro
não estava no prato de comida de uma criança pobre, estava na Suíça.
A vida seguiu em frente, se apaixonou e casou com Maria.
Algum tempo depois Lucas nasceu.
Quando Lucas tinha 6 anos, uma crise econômica assolou o
país. João estava perplexo, a televisão e o presidente disseram que estava tudo
bem.
A recessão foi forte, os móveis parcelados na Casas Bahia
não podiam mais ser pagos, a escola de Lucas também não, João havia perdido seu
emprego.
Em resposta aos problemas, os deputados aumentaram 2 coisas,
seu próprio salário e os impostos.
João e a população ficaram ainda mais pobres.
2 anos depois a crise acabou (por enquanto).
Lucas cresceu e foi pra faculdade. João e Maria queriam se
aposentar e viajar ao redor do mundo para aproveitar os anos que restavam.
No entanto, o casal descobriu que a aposentadoria que iriam
ganhar não chegava nem perto do que gastaram com INSS durante a vida.
Tiveram que trabalhar para sempre. O governo nunca cumpriu a
promessa de ajudá-los a ter uma vida melhor. Cobrou, taxou, usurpou, mas nunca
retribuiu.
No final da vida, João contou o que aprendeu ao longo de
décadas para Lucas. O governo, em nome de um “bem geral”, favorecia uma pequena
elite política e empobrecia o resto desde o início de suas vidas. Ele dava umas
migalhas para os necessitados, como forma de compensar minimamente a fortuna
que haviam roubado, apenas para esconder que na verdade estavam tornando os
pobres, mais pobres e os ricos mais ricos. Lucas nunca esqueceu disso.
João sou eu, você e a
maioria das pessoas que conhecemos.
(Continuação do conto, A história de Lucas: O homem do governo)Leonardo Teixeira - 29/04/2016

sexta-feira, abril 29, 2016
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