O tributo é uma obrigação de pagamento, imposta na
porcentagem da receita do indivíduo, para o Estado. Afinal, vivemos em
comunidade e a entidade administradora precisa de verbas para bancar toda a
estrutura complexa que estamos. Os tributos são utilizados para as necessidades
do coletivo, como saúde pública, educação, segurança e cultura, nada menos que
o retorno do que foi cedido inicialmente pelo contribuinte.
Na teoria é bem bonito, entretanto sabemos que na prática,
é outra história. Os governantes dificilmente possuem respeito pelas
arrecadações públicas e seja pela má gestão, corrupção ou até mesmo a própria
estrutura política, os tributos não conseguem chegar até onde deveriam: de
volta para o contribuinte. A verdade é que raramente vemos esse ciclo acontecer
e na maioria das vezes, não há retorno do nosso dinheiro enviado ao Estado.
No Brasil, em especial, 34% do PIB tem origem da carga
tributária, o maior índice da América Latina e um dos maiores do planeta. Uma
pesquisa foi elaborada em 2012 e foi constatado que o brasileiro precisa
trabalhar, em média, 4 meses e 29 dias para pagar toda a carga tributária
imposta. Em um país com tanta contribuição, imagina-se que o governo é presente
e a estrutura pública funciona bem, entretanto o retorno de bem estar não é
proporcional as altas exigências tributárias.
O IRBES (Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade) é um
indicador que mostra o nível de retorno das arrecadações à população,
comparando a carga tributária, ponderada percentualmente com o IDH. Entre os 30
países que mais exigem do contribuinte, o Brasil é o que proporciona pior
retorno dos valores arrecadados. O índice tratado foi feito com as informações do
IDH com o índice final para o ano de 2012.
Somos uma nação com uma desigualdade enorme e um dos
motivos é a aplicação indevida de tributação. Apenas 3,4% das arrecadações
brasileiras vêm de tributos sobre patrimônio e somente 21,3% das taxas sobre
lucros e rendas. Em outras palavras, menos de 25% do dinheiro público vêm de
impostos progressivos (aqueles que, em tese, são criados para atingir os mais
ricos). Por outro lado, 41,6% da carga tributária vêm de bens e serviços e
estes são chamados de impostos regressivos, pois atingem, proporcionalmente, a
população modesta.
Digamos que os impostos sobre a venda de um determinado
móvel é de R$200. Se uma pessoa ganha R$2.000 mensais, o tributo corresponde a
10% de sua renda. Entretanto, se outra pessoa ganhar R$20.000, a porcentagem é
de apenas 1%. Nosso atual regime tributário favorece a desigualdade social,
pois impostos sobre o consumo pesam mais para quem tem menos e não deveria ser
esse o objetivo.
A reforma tributária brasileira é um passo necessário para
mudar o cenário do nosso país, entretanto é uma pequena parcela de um todo para
uma mudança efetiva. Se quisermos ser o
país do futuro, chegou a hora de fazer mudanças do modo certo. A
responsabilidade deita junto de cada brasileiro na hora de escolher nossos
representantes do poder público, aqueles que vão fazer o que é preciso e
administrar nossos tributos e nosso país também.
Victor Mancebo 21/05/2015

quinta-feira, maio 21, 2015
Victor Mancebo

Posted in:
1 comentários :
Excelente artigo Victor!
Postar um comentário